Tânia Monteiro
Agência Estado
De Brasília
O Ministério da Defesa vai elaborar um documento técnico a partir da semana que vem com as principais reivindicações das Forças Armadas para serem encaminhadas ao presidente Fernando Henrique Cardoso. A Aeronáutica já apresentou parte dos seus pedidos ontem, durante reunião dos comandantes das três Forças com o ministro da Defesa, Élcio Álvares. Mas o assunto só começará a ser discutido efetivamente em uma nova reunião marcada para a semana que vem. Na reunião de ontem, Élcio aproveitou para reiterar a necessidade de união das três Forças e traçar planos para o futuro como a reativação do Projeto Calha Norte.
Élcio explicou que os almoços entre o ministro da Defesa e os comandantes militares têm sido uma rotina desde a criação do Ministério. Ontem, no entanto, foi realizado o primeiro encontro com o novo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista. Também foi a primeira reunião conjunta depois da crise militar de dezembro, que resultou na demissão do brigadeiro Walter Brauer.
O ministro da Defesa fez questão de tratar a crise na Aeronáutica como ‘‘página virada’’. Ele disse que discutiu, por exemplo, os novos projetos de comunicação para o Ministério. O brigadeiro Baptista também preferiu considerar a crise uma questão ‘‘ultrapassada’’. ‘‘Não tem crise’’, assegurou ele. ‘‘Ninguém está querendo crise no Brasil, muito menos os militares.’’
Na quinta-feira, Élcio reuniu-se com o secretário de Governo, Andrea Matarazzo, para tratar da divulgação dos trabalhos desenvolvidos pelas três Forças. ‘‘As Forças Armadas devem se comunicar mais com o público externo’’, sinalizou o ministro, realçando que começarão a pensar mais na Amazônia, em projetos de integração do Ministério da Defesa brasileiro com o de outros países e também com o reaparelhamento das três forças, que considera uma necessidade.
Segundo Élcio, o ano passado foi ‘‘atípico’’, porque foi o ‘‘ano de implantação do ministério’’. ‘‘Agora, é um ano de ação e vamos começar com mudanças na comunicação’’, disse ele, acrescentando que está preocupado com o futuro do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
A proposta apresentada pela Aeronáutica prevê um desembolso imediato de US$ 400 milhões dos US$ 2,2 bilhões do programa de reequipamento da força elaborado para um período de dez a 12 anos. Mas, de imediato, eles querem US$ 270 milhões para compras de peças de reposição de aviões, já que os estoques são mínimos para muitos equipamentos essenciais. A Marinha e o Exército já estão com seus projetos de reequipamento em andamento, embora boa parte dos recursos esteja contingenciada.

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