Buenos Aires - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira (23) esperar que a mudança no comando do Exército traga de volta a normalidade da relação."As Forças Armadas não existem para servir a um político e sim para proteger o povo brasileiro." Na Argentina, o presidente afirmou ainda que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) "não respeitou a Constituição e se meteu nas Forças Armadas".

"O que aconteceu é que Bolsonaro não respeitou a Constituição e não respeitou as Forças Armadas. E tenho certeza que vamos colocar as coisas no lugar. O Brasil vai voltar à normalidade", afirmou. "Está claro o papel na Constituição, está definido."

Lula admitiu, mas disse não saber explicar, o apoio a Bolsonaro pelas forças de segurança do país, ao que chamou de fenômeno. Ele citou parte das Polícias Militares, das Forças Armadas e da Polícia Rodoviária Federal. "Isso é reconhecido por qualquer cidadão que faça política no Brasil."

"Eu escolhi outro comandante e tive uma boa conversa com esse comandante. E ele pensa exatamente como eu que tenho falado sobre as Forças Armadas."

Lula demitiu no sábado (21) o comandante do Exército, general Júlio Cesar de Arruda, em meio a uma crise de confiança aberta após os ataques do dia 8 de janeiro, em Brasília. O novo chefe da Força é o atual comandante militar do Sudeste (responsável por São Paulo), general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva. Na semana passada, ele havia feito um discurso incisivo de defesa da institucionalidade, pedindo o respeito ao resultado das eleições e afirmando o Exército como apolítico e apartidário.

A decisão de tirar o general Júlio César de Arruda do cargo deve acarretar novas mudanças em cargos estratégicos da Força. Alguns por insatisfação do petista, outros por mudanças naturais com as trocas de comando.

As decisões, no entanto, serão tomadas em conversas entre o presidente, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e o novo comandante do Exército, Tomás Paiva. Uma das mudanças consideradas certas é com o tenente-coronel Mauro Cid. Ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o militar foi designado no ano passado para comandar o Batalhão de Ações de Comando, em Goiânia, como revelou a Folha.

Também nesta segunda, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que o novo comandante do Exército terá de fazer costuras internas na Força para retomar a normalidade após a demissão do general.

ACENO A MILITARES
O Ministério da Justiça, chefiado por Flávio Dino (PSB), tem feito acenos a policiais militares na tentativa de não desgastar uma relação já tensionada pelo alinhamento de parte das tropas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A avaliação do governo foi a de que a intervenção do presidente Lula (PT) na segurança do Distrito Federal tem potencial para acirrar a animosidade dos policiais militares e, por isso, a estratégia é a de responsabilizar apenas a cúpula da corporação, ressaltando o heroísmo dos agentes que expulsaram os vândalos das sedes dos Três Poderes.
Da parte de policiais sobram reclamações sobre a intervenção e a prisão do ex-comandante da Polícia Militar do Distrito Federal Fábio Augusto Vieira.
O secretário nacional de Segurança Pública, Tadeu Alencar (PSB), afirma à Folha haver espaço para "estabelecer outro tipo de relação" com esses policiais. Ele defende o diálogo e diz que "essa medida começa nesse episódio que marca de forma grave a PM-DF".
O interventor Ricardo Cappelli, que é civil e jornalista, visitou os 44 militares feridos na operação e anunciou que eles serão agraciados com medalha e eventual promoção por ato de bravura. (Colaborou Carolina Linhares)
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