Candidato à reeleição e dono de uma das vagas no segundo turno das eleições municipais em Londrina, o prefeito Nedson Micheleti (PT) afirmou ontem à noite que a próxima etapa da campanha ''não será uma sequência natural da primeira''. A declaração foi feita pelo petista logo após o resultado que o confirmou como principal adversário do ex-prefeito Antonio Belinati (PSL), com 32,09% contra 27,22% das intenções de voto.
Eleito em 2000 em meio a um clima de esperança de renovação na administração pública, Nedson disse que, dessa vez, o embate pela preferência do eleitor será muito mais difícil contra o ex-prefeito de três mandatos, até em função da vantagem em que ele saiu nas urnas. Por outro lado, ele negou qualquer mudança radical de estratégia. ''Vai ser a disputa de projetos: o de uma cidade que se administra com honestidade e seriedade e o de uma visão de cidade do passado, de clientelismo, de fisiologismo'', sentenciou.
Defendido por Nedson em debates na TV como uma ''luta do bem contra o mal'', a disputa com Belinati no segundo turno agora foi amenizada, mas taxativa: ''Com certeza as pessoas de bem vão somar forças 'antibelinatistas'. Essa já foi minha percepção mesmo no primeiro turno'', comentou.
''Começaremos tudo do zero, mas creio que é o eleitor quem vai nos pautar. Se bem que acho difícil discutir isso com quem fugiu de tudo quanto é debate na campanha toda. Duvido que ele (Belinati) queira encarar qualquer discussão pública agora'', desafiou.
Na avaliação do prefeito, a maior dificuldade foi o período que antecedeu o horário eleitoral em que chegou amargar uma quinta colocação nas primeiras sondagens de intenção de voto. A respeito de um possível apoio dos candidatos ou partidos derrotados, Nedson frisou ainda não ter conversado com nenhum deles, mas ressaltou que algum membro da Executiva Nacional do PT deve se incorporar à campanha em Londrina. ''Já tivemos o (chefe da Casa Civil) José Dirceu, o (ministro da Fazenda) Antonio Palocci e o (senador) Eduardo Suplicy; agora acho que as possibilidades são maiores'', sinalizou.
Presente à casa do prefeito onde ele concedeu coletiva à imprensa com o presidente da Sercomtel, João Rezende, o deputado federal Paulo Bernardo (PT) informou que deve dar três dias de descanso a Nedson para então se começarem os trabalhos de articulação. ''Convidaremos o prefeito a ir para Brasília esta semana e conversar com o presidente Lula e o núcleo político do governo para garantir a presença de lideranças em Londrina'', adiantou, declarando que uma dessas figuras deve ser o presidente nacional do PT, José Genoino.
Quanto à vinda efetiva de Lula, Bernardo disse que ele já acenou com a possibilidade, mas somente a cidades em que o adversário não é aliado do PT, como o PMDB. ''Como aqui, Maringá e Curitiba temos oposição, acho que vai ser tranquila a visita'', concluiu.

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