A força-tarefa do governo federal, formada pelos Ministérios da Justiça, Relações Exteriores e Fazenda, além da Polícia Federal e Procuradoria da República, vai investigar as contas do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) nas Ilhas de Jersey, no Canal da Mancha. O grupo espera apenas a definição sobre quem atuará no caso, se a Justiça Federal ou a Estadual, para iniciar seus trabalhos. Mas as autoridades brasileiras admitem: a falta de acordo com o paraíso fiscal dificultará o rastreamento e repatriamento dos recursos.

É praticamente certo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) dará à Justiça Federal a responsabilidade pela investigação das contas de Maluf. A partir disso, o caso será entregue à Polícia Federal e à força-tarefa. Nos últimos meses, a equipe formada pela força-tarefa conseguiu localizar US$ 7 milhões que o juiz Nicolau dos Santos Neto teria desviado das obras do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em São Paulo.

Formado por dois delegados da Polícia Federal, integrantes do Ministério Público Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ligado ao Ministério da Fazenda Secretaria Nacional de Justiça, Advocacia- Geral da União (AGU) e Ministério das Relações Exteriores, a força-tarefa atuará desde o rastreamento do envio do dinheiro por Maluf para o exterior até a conclusão do processo. ''Estamos prontos para atuar, dependendo apenas da decisão do STJ'', informou o ministro da Justiça, José Gregori.

A identificação e o repatriamento do dinheiro não será tão fácil, já que o Brasil não tem acordos com as Ilhas de Jersey, um paraíso fiscal ligado à Inglaterra, país que está negociando um acordo com as autoridades brasileiras que, no entanto, não é aplicado às suas ilhas em paraísos fiscais. ''É praticamente impossível recuperar o dinheiro, já que as Ilhas de Jersey é uma grande caixa-preta, onde impera um silêncio absoluto sobre os correntistas'', afirmou um integrante do grupo.

Se ficar confirmado a existência de dinheiro de Maluf em Jersey, o esquema utilizado pelo ex-prefeito pode ter sido o mesmo do ex-juiz Nicolau. Maluf levou o dinheiro para a Suíça num período em que o país se negava a fornecer informações bancárias sobre seus correntistas. Depois que as autoridades suíças quebraram esta norma, o ex-prefeito levou o dinheiro para Jersey.

Ontem, o juiz-corregedor do Departamento de Inquéritos Policiais de São Paulo, Maurício Lemos Porto Alves, recebeu a relação das ligações de telefones fixos realizadas por Maluf e seis familiares dele, desde 1994. Na última segunda-feira, o juiz Porto Alves havia decretado a quebra de sigilo telefônico de 1º de janeiro de 1993 em diante. A Embratel informou que não tinha os dados de 1993 disponíveis.

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