Força-tarefa quer evitar esvaziamento de investigação
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quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br> Reportagem Local 
Curitiba A força-tarefa composta por 12 procuradores da República, com base em Curitiba, e que está atuando há um ano e seis meses na Operação Lava Jato estuda algumas estratégias para evitar o esvaziamento de todo o trabalho de investigação já desenvolvido até aqui pelo Ministério Público Federal (MPF).
Oficialmente, o órgão não se pronunciou sobre a decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira que, por sete votos a três, retirou da competência do juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, o inquérito referente à 18ª fase da operação, batizada "Pixuleco 2", e que apura possível crime de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a empresa Consist Software, que mantinha ligações com o Ministério do Planejamento.
Entretanto, algumas hipóteses já começam a ser levantadas. Uma delas seria insistir para manter toda a investigação com os procuradores que já acompanham o caso tanto na capital paranaense quanto em Brasília. Neste caso, poderia ocorrer um esforço ainda maior para demonstrar que há conexão entre os fatos envolvendo pagamento de propina em outras estatais além da Petrobras e que, portanto, a competência seria da Justiça Federal do Paraná. Outra opção seria oferecer suporte a procuradores de outros estados, começando por São Paulo, para que nenhum detalhe possa ser perdido dentro do processo.
Por meio da Procuradoria Geral da República (PGR), o MPF tentou manter o caso vinculado à operação, mas não teve o pedido atendido. O STF desvinculou o inquérito, em que a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) inclusive é citada, por inicialmente não ter relação com a Petrobras. A investigação foi desmembrada para que a parte relacionada à senadora, que tem direito a foro privilegiado, permaneça no Supremo. O restante da investigação, no entanto, não será devolvido a Sérgio Moro, mas enviado à Justiça Federal de São Paulo, onde teriam sido cometidas as irregularidades apontadas pela investigação.
A preocupação dos investigadores é que a decisão pode ter aberto um precedente para influenciar outras frentes de apuração que não têm relação com a Petrobras. Além das investigações ligadas a desvios da Petrobras, também já tramitam na 13ª Vara de Curitiba, processos que apuram fraudes em contratos com a Caixa Econômica Federal (CEF), Ministério da Saúde (MS), e Eletronuclear, por exemplo.
Na última segunda-feira, antes do julgamento feito pelo STF, em coletiva da 19ª fase da Lava Jato realizada em Curitiba, o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, integrante da força-tarefa, ressaltou seu receio sobre o futuro da investigação. "Pode significar o fim da Lava Jato tal qual conhecemos", afirmou.
Os investigadores que compõem a equipe da Polícia Federal (PF) mobilizada em Curitiba também não se manifestaram oficialmente sobre a decisão do STF, mas a FOLHA apurou que, a princípio, nada mudaria em relação ao que já vem sendo desenvolvido. Os inquéritos continuam sendo tocados pelos policiais que tiveram um reforço de 50 colegas para ampliar os trabalhos no último mês. "Causa surpresa a decisão que foi tomada. A Petrobras não é o foco das investigações, mas sim todo um esquema mantido por uma grande organização criminosa para conseguir apoio político em troca de dinheiro. E isso envolvia desvios de recursos de outros entes públicos. O entendimento adotado pelo Supremo pode ser um fator complicador às investigações, mas seguimos com os trabalhos", ressaltou um dos delegados que atua no caso.


