São Paulo - A investigação em torno da Interbrazil, uma seguradora de pequeno porte que ganhou grandes contratos entre empresas estatais do setor elétrico, após ajudar o PT em campanhas eleitorais, deverá mobilizar a Polícia Federal (PF), o Ministério Público (MP) de dois Estados e o Ministério Público Federal (MPF). A atenção das autoridades foi despertada por uma reportagem exibida na última terça-feira pelo ''Jornal Nacional'', da Rede Globo de Televisão.
A reportagem mostrou como uma empresa criada em 2002 e desconhecida no mercado tornou-se seguradora das usinas nucleares de Angra I e Angra II, da Companhia Energética do Paraná e da Companhia Energética de Goiás. No total, a cobertura prevista nestes contratos chegava a R$ 4,7 bilhões. Na reportagem, o presidente da Interbrazil, André Marques da Silva, admitiu ter pago despesas de campanha eleitoral de petistas, em troca de informações para fechar contratos.
Também chamou a atenção no caso o envolvimento do nome de Adhemar Palocci, irmão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. De acordo com pessoas ouvidas pelos repórteres, era ele quem definia quais dívidas deveriam ser pagas.
Ex-secretário de Finanças da Prefeitura de Goiânia e funcionário das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobrás), Adhemar Palocci foi citado por fornecedores de material de campanha. A PF quer agora esclarecer quais as relações entre ele e o proprietário da empresa seguradora. Segundo depoimentos colhidos pelo Ministério Público Estadual (MPE) de Goiás, numa investigação de caixa dois do PT, Adhemar Palocci era o coordenador de campanhas petistas que teriam serviços pagos pelo dono da Interbrazil.
Anteontem, a Eletrobrás divulgou uma nota isentando Adhemar Palocci de responsabilidade na assinatura dos contratos de seguro.

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