Curitiba - As investigações envolvendo a evasão de divisas e a remessa de dólares do Brasil para paraísos fiscais iniciam hoje uma nova fase. Até ontem, os integrantes da Força-Tarefa, integrada por procuradores da República, auditores da Receita Federal, agentes da Polícia Federal e funcionários do Banco Central (BC), concentravam as investigações nas remessas ilegais através das contas CC-5, criadas oficialmente para facilitar a vida de residentes estrangeiros no Brasil e usadas para lavagem de dinheiro através da abertura de contas de laranjas e com o auxílio de doleiros. Essas operações, que envolveram US$ 24 bilhões, estavam concentradas basicamente nas transações financeiras feitas através das agências do Banestado em Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu e Nova York.
O Banestado atuou basicamente entre os anos de 1996 e 1999. A partir de então, os doleiros começaram a migrar para outros bancos. Essa ramificação vai ser, a partir de agora, o foco das atenções da força-tarefa. ''Até agora conseguimos descobrir nomes de doleiros e de beneficiários das contas CC-5. Agora buscamos descobrir para onde migraram esses doleiros e esses beneficiários que continuaram lavando dinheiro e depositando divisas em paraísos fiscais'', afirmou ontem o procurador da República, Carlos Fernando dos Santos Lima.
A nova fase conta com um número menor de procuradores. Dos nove que iniciaram as investigações, seis darão continuidade até o dia 19 de dezembro, quando serão encerrados oficialmente os trabalhos investigativos. Para a nova fase das investigações, a força-tarefa conta com apreensões de centenas de computadores nas casas de doleiros, empresários beneficiados com as transações financeiras no Exterior, laranjas e procuradores de contas que operavam nos Estados Unidos e em paraísos fiscais.
Os computadores foram apreendidos essa semana na Operação Farol da Colina, que cumpriu 215 mandados de busca e apreensão em residências de investigados, sedes e filiais de 75 empresas. Na operação, 64 pessoas foram presas. Entretanto, outras 57 estão foragidas. ''As prisões foram necessárias para que essas pessoas não atrapalhassem a colheita de provas. Agora estão todas presas e teremos como saber os dados que estão nesses computadores que podem conter nomes de pessoas estratégicas para nossas investigações'', apontou o procurador da República, Vladimir Aras.
Entre as prisões mais significativas realizadas pela operação está a do doleiro Antônio Oliveira da Claramunt, o Toninho da Barcelona, convocado algumas vezes para prestar esclarecimentos na CPMI do Banestado. Com ele foram apreendidos computadores em quantidade suficiente para encher a caçamba de um caminhão. ''Teremos agora um trabalho minuncioso pela frente'', disse Lima. A Polícia Federal fará a perícia técnica no material apreendido. A previsão é que em dois meses sejam feitos os relatórios completos sobre o conteúdo dos computadores.
Essa semana, os procuradores estão ouvindo todos os presos. Nessas novas operações que envolveram a chamada Beacon Hill Service Corporation (uma empresa financeira que tinha transações comerciais com o Banestado de Nova York) e a Chase Bank em Nova York, que movimentava milhões de dólares através de um sistema chamado de ''dólar a cabo'', uma transação na qual empresários e comerciantes indicavam, via doleiros, contas no Exterior para receber recursos sem recolhimento de impostos ou declarações à Receita Federal estima-se que tenham sido enviados para o Exterior cerca de US$ 13 bilhões.

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