Força-tarefa critica vazamento de informações
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segunda-feira, 09 de agosto de 2004
Agência Folha 
Londrina - A força-tarefa CC5 do Ministério Público Federal (MFP) no Paraná, que investiga a evasão de divisas e crimes contra o sistema financeiro nacional, divulgou ontem nota oficial sobre vazamentos de informações no caso Banestado. Na nota, os procuradores alertam que a divulgação de informações ''pode causar sérios prejuízos ao andamento das investigações feitas até o momento''.
A nota muda o tom dos procuradores da força-tarefa - integrada por procuradores da República, policiais e peritos federais e servidores da Receita Federal -, que evitavam, até o final de semana último, comentar esses vazamentos. Integram a força-tarefa, entre outros, os procuradores Carlos Fernando dos Santos Lima, Vladimir Aras e Januário Paludo.
Os procuradores afirmam na nota que ''em momento algum os membros do MPF no Paraná divulgaram quaisquer informações contidas'' no CD-Rom que contém a lista de operações realizadas no CBC (Connecticut Bank of Commerce), antigo MTB, oferecido à CPI do Banestado pela Justiça norte-americana, com cópias para a Justiça Federal e o Ministério Público Federal.
''Discrição na condução das investigações relacionadas ao caso Banestado tem sido a marca registrada desta força-tarefa'', afirma a nota. Os procuradores da força-tarefa alertam ainda que o vazamento de informações, ''aos invés (sic) de auxiliar na punição dos responsáveis (...) prejudica o trabalho de investigação para que se chegue aos nomes dos verdadeiros donos dos recursos enviados ilegalmente ao exterior, ou lá mantidos''.
A reportagem apurou que existia uma orientação, informal, do procurador-geral da República, Cláudio Fontelles, para que os procuradores evitassem se envolver no tiroteio político que se transformou o vazamento de informações sobre movimentações financeiras no exterior do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e de Cássio Casseb Lima, presidente do Banco do Brasil.
No caso específico das denúncias envolvendo Lima e Meirelles, o vazamento provocou constrangimento às procuradorias da República em São Paulo e Goiás: as supostas irregularidades cometidas por Casseb e Meirelles estão na mídia, antes mesmo de os documentos chegarem aos responsáveis pelas investigações. Meirelles e Lima possuem domicílios fiscais em Goiás e São Paulo, respectivamente.
No caso Meirelles, a movimentação de US$ 50.677,12 no CBC, o antigo MTB, que transferiu o valor para a Biscay Trading, através do Goldman Sachs, procuradores ouvidos pela Agência Folha afirmam que a operação, nos Estados Unidos, é legal. O problema é que a Biscay Trading é investigada no Brasil. E a ligação do presidente do Banco Central com a ''offshore'' rende problemas políticos para o Palácio do Planalto.
Até agora, o MPF ofereceu denúncias contra 375 pessoas em Curitiba e outras 68 em Foz do Iguaçu. Entre os doleiros em evidência, estaria o londrinense Alberto Youssef, que segundo a Revista IstoÉ desta semana, movimentava recursos de empresas através de uma off-shore conhecida como ''Kundo''. Até agora foram proferidas sentenças condenatórias contra 18 pessoas envolvidas em crime contra o sistema financeiro nacional.


