Curitiba - A força-tarefa, composta por representantes do Ministério Público Federal (MPF), Receita Federal e Polícia Federal que apura a remessa ilegal de dinheiro ao exterior via contas CC-5 em Foz do Iguaçu, teve acesso a novas contas do Banco Banestado em Nova York, que tiveram sigilo bancário quebrado, e provas para sustentar novas denúncias criminais. A informação é do procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, que coordena os trabalhos do grupo que viajou a Nova York, entre os dias 28 de agosto e 6 de setembro. Deputados e senadores da CPI nacional do Banestado também participaram da viagem aos Estados Unidos. A Procuradoria Geral da República deve apresentar amanhã novas denúncias contra os envolvidos no escandâlo de lavagem de dinheiro via agências do Banestado.
O procurador-geral da República, Claudio Fonteles, acompanha amanhã a divulgação das novas denúncias. Ele estará em Curitiba para realizar uma reunião semestral com procuradores. Fonteles também vai aproveitar a ocasião para reafirmar a confiança que tem no trabalho realizado pela força-tarefa. De acordo com reportagens feitas pela revista IstoÉ, Santos Lima teria ''engavetado'' por cinco anos uma investigação que desmontaria todo o esquema de lavagem de dinheiro no Banestado. Um dos motivos para segurar as denúncias, de acordo com a revista, foi que Santos Lima era casado com uma funcionária do Banestado que atuaria na área de câmbio.
Santos Lima negou que o casamento tenha impedido as investigações. Eles se divorciou há quase dois anos. Segundo ele, a ex-mulher nunca ocupou nenhum cargo de direção nem de confiança. ''É a mesma coisa que denunciar a secretária que datilografa o discurso de um político'', observou.
Em dezembro de 1998, Santos Lima ouviu o depoimento do ex-gerente de Negócios de Câmbio do Banestado Eraldo Ferreira. Demitido do banco em 1996, Ferreira captava clientes para a agência do Banestado em Nova York, que podiam abrir contas em nome de terceiros, sem risco de serem descobertos pela Receita Federal. O ex-gerente também contou sobre a ''cobrança pink'', esquema utilizado para subfaturar valores de exportações negociadas pelo banco. ''Não havia o que fazer na época. Era necessário a quebra de sigilo no exterior, mas isso não era possível'', relatou.
Na viagem recente feita a Nova York, a força-tarefa conseguiu acesso às contas abertas denunciadas por Ferreira em 1998, em um total de 157, e outras 11, descobertas posteriormente. ''Dessas, apenas uma ou duas têm movimentação significativa, mas agora que podemos, estamos analisando tudo'', disse. Como o crime de lavagem de dinheiro prescreve após 12 anos, Santos Lima afirmou que não houve prejuízo nas investigações.
A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) divulgou nota na terça-feira e afirma ''repúdio às insinuções'' da revista IstoÉ.

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