Força-tarefa ajuda investigar assessores de Janene
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sexta-feira, 19 de maio de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A Polícia Federal (PF) de Londrina recebe na próxima segunda-feira uma equipe de dois auditores da Receita Federal e de dois peritos do setor de informática da PF de Curitiba para auxiliar no inquérito que investiga lavagem de dinheiro e crime contra o sistema financeiro por parte de pessoas ligadas ao deputado federal José Janene (PP).
A PF investiga a esposa de Janene, Stael Fernanda Rodrigues de Lima Janene, e o casal de assessores Meheidin Hussein Jenani e Rosa Alice Valente, dentro da chamada ''Operação Lavaduto''. As apurações que até então transcorriam em segredo de Justiça culminaram com a expedição de nove mandados de busca e apreensão, cumpridos na quinta-feira em Londrina (cinco), São Paulo (três) e Barueri (um).
Conforme o delegado que preside o inquérito, Gerson Machado, a equipe solicitada para integrar a força-tarefa a ser formada chega no mesmo dia de abertura dos oito malotes originados dos mandados na cidade. Neles há desde escrituras de imóveis a documentos e computadores, apreendidos no escritório político de Janene, em uma construtora da cidade e na residência do casal de assessores.
''Tudo isso será separado na presença dos advogados do deputado, conforme acordo firmado com ele no ato da apreensão. O restate vai para perícia, para respaldar, com provas, as investigações'', explicou Machado. De acordo com ele, ontem mesmo a PF recebeu a documentação apreendida em São Paulo na empresa Taha, supostamente do investidor Naji Nahas, cujo capital 99% é de uma offshore panamenha, suspeita de ser empresa de fachada.
O nono mandado seria cumprido em uma empresa de Barueri, que, assim como a Taha, efetuou uma série de depósitos nas contas dos assessores. Entretanto, conforme o delegado, no local foi encontrado ontem apenas uma placa de ''aluga-se''. ''Isso fica para segunda-feira, mais diligências serão feitas para se chegar à empresa. Enquanto isso, pedimos à Receita Federal informações sobre a movimentação financeira de Stael Fernanda'', complementou.
O inquérito aponta indícios de que os assessores do ex-líder do PP tenham usado dinheiro oriundo do valerioduto esquema de arrecadação paralela operado pelo publicitário mineiro Marcos Valério para adquirir pelo menos 11 propriedades e uma mansão para a esposa do deputado. A casa fica no condomínio de luxo Royal Golf, está avaliada em R$ 2 milhões e, conforme a PF, teve materiais de construção bancados por Rosa. A assessora também pagou com cheque de R$ 9 mil parte de um terreno de 10 alqueires em Faxinal, enquanto Jenani bancou outros R$ 110 mil, pelo apurado, em dinheiro. O imóvel está em nome de Stael, mas foi registrado com valor 50% inferior.
As investigações começaram em 2004 com base em relatório enviado à PF pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Em março daquele ano, o órgão suspeitou de movimentação ''suspeita'' de Jenani, cerca de 300 vezes maior que a declarada à Receita. A partir dali, a Polícia decobriu não apenas os depósitos, como também a ligação com Rosa e a esposa de Janene. Os assessores e Stael devem ser chamados a depor, mas não como indiciados, na próxima semana. Conforme o delegado, outros suspeitos e mais uma diversidade grande de imóveis seguem em investigação.


