Brasília - O caso Banestado chegou a um novo foco de apuração: 137 políticos que enviaram recursos para o exterior por meio de contas CC5 (destinadas a não-residentes) estão sob investigação da força-tarefa constituída para apurar prática de evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros crimes.
Sem dar nomes, o procurador-geral da República, Claudio Fonteles, disse em Brasília que entre os investigados não há governadores, senadores nem deputados federais até o momento. O foco da investigação foi definido por um cruzamento das informações contidas na base de dados do Banestado com os registros de candidatos nas eleições de 1998, 2000 e 2002.
Segundo as procuradoras Valquíria Quixadá e Raquel Branquinho, do Ministério Público Federal em Brasília, há prefeitos, vereadores e deputados estaduais no grupo. Entre 1996 e 2002, eles remeteram US$ 24 bilhões para o exterior em operações sob suspeita de irregularidade.
Raquel Branquinho e Valquíria Quixadá investigam o envolvimento de funcionários públicos nas operações de lavagem apuradas na contabilidade do Banestado. A triagem feita até o momento detectou operações em nome de 411 servidores federais, hoje investigados pela Controladoria Geral da União.
A força-tarefa composta por Ministério Público, Polícia Federal, Receita e Banco Central em 2003 pretende agora cruzar as operações do Banestado com o cadastro de servidores do Judiciário, dos Estados e prefeituras.
O procurador-geral fez um balanço dos resultados obtidos até o momento pela força-tarefa. Um resultado parcial da investigação mostra que a Receita Federal já aplicou autuações que somam cerca de R$ 3 bilhões a beneficiários de recursos que não pagaram impostos ao fazer as remessas, conforme dados colhidos nas investigações. Os processos na Justiça conseguiram também o arresto de R$ 107,4 milhões em bens dos suspeitos.
Fonteles afirmou que os laranjas utilizados nas operações foram deixados de lado pelos investigadores e que o Ministério Público priorizou o ''colarinho branco'' ao propor ações penais. A investida rendeu a condenação de 16 pessoas três delas com sentenças definitivas , entre 443 denunciados à Justiça.

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