São Paulo - A Força Sindical anunciou ontem que os advogados do presidente da entidade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, ingressarão hoje com uma representação junto ao procurador-geral da União, Cláudio Fonteles, para que sejam apuradas eventuais ações ilícitas de atuais membros do governo Lula durante a campanha presidencial do ano passado, conforme indicou reportagem da última edição da revista ''Veja''. A Força Sindical também vai apelar para que a Justiça Criminal de São Paulo puna os supostos envolvidos na armação de ciladas contra os adversários eleitorais do então candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva.
Além de ingressar com petição na Procuradoria-Geral da União, os advogados vão notificar criminalmente o sindicalista Wagner Cinchetto, para que ele confirme as declarações dadas à ''Veja'' de que Paulinho é corrupto. As acusações contra Paulinho envolviam o suposto uso indevido de recursos do FAT (Fundo de Amparo do Trabalhador). ''Preliminarmente, intimamos o Cinchetto a confirmar o que disse. Depois, ingressamos com ações de calúnia, injúria, difamação e danos morais'', afirmou o advogado Ricardo Tosto, que comanda o processo.
Cinchetto seria, de acordo com a reportagem, um dos intrigantes da tropa -composta por petistas e sindicalistas da CUT (Central Única dos Trabalhadores) - criada para derrubar os adversários de Lula.
Tosto disse que aguardará o posicionamento de Fonteles para definir quais medidas judiciais adotarão contra os envolvidos no suposto caso de espionagem petista. O advogado garante que não é intenção de Paulinho agredir ou envolver a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no processo. ''Não acreditamos no envolvimento do presidente Lula porque bisbilhotagem e arapongagem não condizem com a forma de atuação política dele. O bom senso mostra, aliás, que o governo deve ajudar na apuração desse caso'', ponderou.
A medida é uma resposta às revelações publicadas pela revista ''Veja'' no último fim de semana. A reportagem diz que uma série de petistas teriam trabalhado, no ano passado, para divulgar acusações e dossiês contra políticos - inclusive contra o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, que era candidato a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PPS), hoje ministro da Integração Nacional.
A central já havia anunciado anteontem o rompimento com a CUT, com quem realizava desde setembro uma campanha salarial unificada para as categorias com data-base no segundo semestre, e o desligamento do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), criado por Lula para reunir representantes da indústria, dos trabalhadores e da sociedade civil.

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