O presidente Fernando Henrique Cardoso vai receber na sexta-feira, em Brasília, o apoio da Força Sindical à sua reeleição, seguido de uma cobrança. O presidente em exercício da central sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, vai cobrar do candidato tucano medidas de proteção de mercado a setores internos que sofreram o impacto da abertura às importações. Paulinho gravou ontem sua participação na propaganda eleitoral gratuita para ajudar a campanha de Fernando Henrique.
‘‘Vamos declarar nosso apoio ao presidente, mas vamos fazer algumas reivindicações’’, advertiu o dirigente sindical, depois de fazer uma visita ao comitê central da reeleição. A Força Sindical quer crescimento econômico aliado a medidas que protejam setores como o de autopeças, de calçados e têxtil. ‘‘Com a abertura para importações, esses setores quebraram’’, disse Paulinho. ‘‘A redução para 2% do imposto de importação, que chegava a 35%, beneficiou a indústria automobilística, mas quebrou a de autopeças.’’
Uma solução para o desemprego, uma reforma na estrutura sindical e a redução de encargos sociais são outras reivindicações que serão levadas pelo dirigente a Fernando Henrique no encontro que acontecerá no auditório do Templo da Boa Vontade, em Brasília. ‘‘Agora não são dez dedos?’’, indagou o sindicalista, numa alusão às duas mãos espalmadas do presidente que serão mostradas em seu programa eleitoral na televisão. ‘‘Nós queremos um dedo daqueles para o desemprego’’, cobrou.
A Força Sindical, a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) e Social Democracia Sindical (SDS) estarão reunindo na sexta-feira 1.150 dirigentes sindicais, representantes de federações para receber Fernando Henrique. Só Força Sindical levará representantes de 500 sindicatos filiados. A central tem 1.278 sindicatos filiados no País.
‘‘Esse evento servirá para mostrar aos trabalhadores que nem todos os sindicatos apóiam Lula (candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva), os trabalhadores reconhecem que Fernando Henrique está fazendo alguma coisa’’, afirmou Paulo Pereira da Silva. ‘‘Ele (Fernando Henrique) não conseguiu ainda superar o desemprego, mas os trabalhadores reconhecem que não é fácil, senão a Europa já teria resolvido seu problema’’, acrescentou.
Paulo Pereira da Silva esteve ontem na produtora GW - que cuida do programa de Fernando Henrique - para gravar uma entrevista em estilo ‘‘talk-show’’ que vai ao ar na próxima semana no espaço reservado ao presidente-candidato durante o horário eleitoral gratuito.Ed Ferreira/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)TrocaPaulino deixa o comitê central de FHC: depois, cobrançaCláudia Carneiro
Agência Estado

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