Curitiba - A Força Sindical do Paraná defendeu ontem no plenário da Assembléia Legislativa a aprovação do salario mínimo regional de R$ 437. O presidente da entidade, Sérgio Butka, afirmou que a medida, além de beneficiar cerca de 490 mil trabalhadores no Estado, deve aquecer a economia e amenizar a desigualdade salarial no Paraná que, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-econômicos (Dieese), tem o maior índice do Sul do País de trabalhadores com renda familiar per capita até meio salário mínimo. Butka argumentou que o novo salário não deve gerar desemprego e nem aumentar os índices de informalidade. O projeto será votado na primeira semana de maio, conforme afirmou o presidente da Casa, deputado Hermas Brandão
(PSDB).
  A Força Sindical calcula, com base em dados do Dieese, que o salário mínimo regional deve injetar pelo menos R$ 16,5 milhões por mês na economia paranaense. Já o impacto financeiro para as grandes indústrias, defendeu Butka na tribuna, será quase nulo porque em sua maioria elas já pagam piso salarial acima desse valor. Já o impacto para as pequenas e médias empresas foi calculado pela entidade, também com base em números do Dieese, em 0,9%. Esse baixo índice seria justificado no fato de o governo do Estado já ter reduzido a alíquota de ICMS destas empresas, ‘‘proporcionando aumento da produtividade e o estímulo ao consumo.’’
  O presidente da Força Sindical relatou aos deputados estaduais que 23,8% das trabalhadoras domésticas do Paraná, a classe mais afetada pelo novo salário, possuem renda familiar per capita de meio salário mínimo. Este é o pior índice do Sul do Brasil. Além disso, Butka mostrou que 20% dos trabalhadores em geral do Paraná que não possuem carteira assinada têm renda familiar per capita de meio salário mínimo. Já entre os trabalhadores com carteira assinada este índice é de 6,7%. Estes dois índices também são os piores do Sul do País. ‘‘Temos os piores indicadores do Sul do País, mas temos o 5º PIB nacional. É uma incoerência’’, afirmou.
  Os exemplos dos estados do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, que já adotaram salários mínimos regionais ano passado, foram citados pelo presidente da Força Sindical como modelos que deram certo. No Rio Grande do Sul, afirmou, mesmo com os ‘‘problemas da estiagem em 2005, com a queda na produção e na exportação, entre 2004 e 2005, houve crescimento no emprego de 3,3% e aumento na renda de 1,6% na região metropolitana de Porto Alegre’’. Já no Rio de Janeiro, explicou, o salário mínimo regional ‘‘teve um efeito indireto nas negociações coletivas, que aumentaram o valor base dos salários nas negociações, promovendo aquecimento da economia’’.
  Após sua explicação, Butka não foi questionado pelos deputados.

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