São Paulo - Líderes da Força Sindical criticaram ontem a presidente Dilma Rousseff, acusando-a de ter esquecido a classe dos trabalhadores. A Força e outras centrais sindicais se reuniram com a presidente na quarta-feira para levar a ela uma pauta com as reivindicações da categoria, mas reclamaram que Dilma os ouviu a contragosto. Os ataques à presidente foram feitos durante uma plenária realizada em São Paulo ontem para organizar o Dia Nacional de Lutas, com com mobilizações, paralisações e greves (leia mais sobre o assunto na Folha Economia).
"Na última quarta, ela (Dilma) falou por 40 minutos e, com muita raiva, deixou que a gente falasse. Quando terminou, ela levantou e foi embora, sem nenhuma decisão concreta", afirmou o presidente da Força Sindical, deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP). "Dilma deu banana para as forças sindicais. Ela não tem compromisso com os sindicalistas", disse outro líder sindical.
O presidente da Força Sindical afirmou que o plebiscito em estudo pelo governo federal e pela presidente Dilma, como resposta às demandas da onda de manifestações que tomou as ruas do País, é uma incógnita. "É um óvni (objeto voador não identificado). Ninguém sabe o que pode dar isso. Não vai solucionar a vida das pessoas. Pode moralizar a política? Até pode, mas pode piorar também", afirmou ele, antes de participar de uma reunião plenária na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Paulo.
Segundo o deputado, a ideia de propor o financiamento público de campanha também não é uma solução. "Se o povo decidir pelo financiamento público, oficialmente o povo vai pagar a campanha de todos os corruptos e não corruptos." Apesar de se dizer a favor de "alguma reforma política", o deputado se mostrou contrário à eleição por lista. "Eu sou presidente do partido em São Paulo, então é lógico que eu vou ser o primeiro da lista. Como será a lista dos outros partidos?"

Alckmin e Haddad
Diferente da avaliação mais crítica à postura da presidente, Paulinho afirmou que a resposta do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi "importante". "Primeiro teve a reação policial de maneira mais violenta, que nós criticamos, mas, depois, em um segundo momento, houve a democratização da polícia." Para ele, a decisão de Alckmin de anunciar corte de gastos mostra que o governador administra as contas públicas com responsabilidade.
Já o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), foi alvo de críticas. Segundo o deputado, Haddad "ficou omisso" em um momento importante.

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