Força do real será o mote da campanha do PSDB em 98
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sábado, 06 de setembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Antes mesmo de reunir os especialistas em marketing para definir o discurso do candidato Fernando Henrique Cardoso na disputa pelo Palácio do Planalto, o PSDB já escolheu o mote da campanha da reeleição. O alto tucanato quer que o presidente mostre ao eleitor que o Real não é apenas uma moeda, mas um programa de desenvolvimento com justiça social que ainda está em curso e precisa de Fernando Henrique e sua equipe para ir em frente. Ele dirá que Real não está acabado e que a continuidade administrativa é essencial para seu sucesso.
O comitê eleitoral também vai refletir a preocupação de garantir a continuidade do trabalho e de evitar as denúncias de uso da máquina administrativa pelos adversários de campanha. A estratégia é a de impressionar o eleitor pela austeridade. O presidente já avisou que quem for trabalhar na campanha terá de sair do governo, contou um ministro. Aquele que permanecer no ministério e quiser colaborar terá de fazê-lo nas folgas de fim de semana. Os ministros só poderão emprestar à campanha seu tempo de cidadão, arrematou o amigo do presidente.
Desde já todos apostam que o grande tema da campanha será o emprego, até porque as pesquisas revelam que esta é a maior preocupação do eleitor. Em 1994, a geração de novos empregos foi incluída nas cinco metas fundamentais do plano de governo, descrito na publicação batizada de Mãos à Obra. A elaboração do programa de governo foi coordenada pelo atual ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Mas o presidente Fernando Henrique ainda não definiu se lançará o segundo volume do Mãos à Obra, com a atualização de suas metas, nem se indicará de novo Paulo Renato na coordenação do programa.
Certo mesmo é que todos os ministros terão de entregar uma prestação de contas minuciosa de seu trabalho nos quatro anos de administração Fernando Henrique. Com muita ênfase para a educação, que há mais de um ano da eleição já cumpriu todas as metas descritas no programa de governo. O ministro Paulo Paiva será chamado a apresentar todos os índices de emprego nas várias regiões. Não vamos mostrar uma maravilha de País, porque isto não existe, mas exibir com muita clareza o Brasil melhorou e pode melhorar muito mais no próximo mandato, disse um dos ministros de Fernando Henrique.
Não tem muito o que inventar, ponderou o primeiro vice-presidente do PSDB, deputado Arnaldo Madeira (SP). O fundamental para a direção do partido é que a campanha da reeleição mostre que a política social não pode ser desvinculada da realidade econômica e que há uma lógica na política de desenvolvimento. A grande ênfase tem de ser na importância da estabilidade para alavancar o crescimento econômico que está na faixa dos 4%, mas vai crescer, disse Madeira. Não fosse isso, não teriam entrado US$ 9 bilhões de investimentos estrangeiros no País em 1996, acrescentou o deputado, ao lembrar que este ano os investidores externos deverão trazer outros US$ 15 bilhões para o Brasil.
Nossos marqueteiros não precisam ter idéias mirabolantes: basta decodificar isto para a população, raciocina o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio Neto (AM). Ele diz que a idéia é que o discurso de campanha do presidente seja uma boa média entre o que pensa o PSDB e seus aliados no plano nacional. Mas o desafio do PSDB, agora, é tentar influir ao máximo nesse discurso. Queremos que prevaleça o tom social democrata e, se possível, a nova utopia da globalização sem a exclusão de nenhum brasileiro, resumiu Arthur Virgílio.


