Força de Quércia assusta governistas
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terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - Os governistas do PMDB de São Paulo foram surpreendidos na convenção, porque confiaram demais na articulação com o presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE), e não esperavam uma mobilização tão grande dos quercistas. Estávamos muito mal preparados, admite um peemedebista defensor da reeleição.
Segundo ele, no início da semana passada, os deputados Aloysio Nunes Ferreira e Alberto Goldman foram avisados da mobilização quercista, mas não se mostraram preocupados. Pode ficar tranquilo, que não vai haver decisão nenhuma, responderam os deputados. Está tudo acertado com o Paes.
Enquanto isso, o ex-governador Orestes Quércia articulava com o presidente do PMDB paulista, deputado Jayme Gimenez, e o ex-deputado Tonico Ramos uma caravana só de delegados contrários à tese da reeleição - que lotou cinco ônibus. São Paulo tinha direito a 60 delegados, escolhidos pelas convenções regional e nacional de 1995, época em que Quércia ainda tinha muito peso no PMDB paulista.
Em dezembro do ano passado, o ex-governador aproveitou um churrasco de final de ano para mobilizar todos os seus delegados para que comparecessem à convenção e votassem contra a reeleição. Eles estavam mais mobilizados, até porque confiamos demais no Paes e acabamos levando um drible dele, lamentou um dos governistas do PMDB.
Goldman nega que tenha sido surpreendido e mostra um levantamento dos votos paulistas. Temos duas dúvidas, mas eles venceram por 52 a 38 ou 50 a 40, diz o parlamentar. E era isso o que imaginávamos. O que ele não imaginava é que a moção sobre a reeleição fosse votada. Em 30 anos de PMDB nunca vi uma molecagem como esta, protestou.
Mas a pá de cal nas esperanças do governo, segundo outros quercistas, foi uma carta do presidente Fernando Henrique Cardoso aos convencionais, distribuída junto com a pasta da convenção. Na carta, o presidente agradecia ao partido por tudo que tem feito pelo País e pelo governo e dizia que a continuidade das reformas dependem da crescente participação do PMDB.


