Curitiba - Dois envolvidos nas denúncias de fraudes e desvios de carga no Porto de Paranaguá se apresentaram, no início da tarde de ontem, à Polícia Federal (PF). O filho do proprietário do Terminal CBL e um funcionário da empresa eram considerados foragidos, uma vez que tinham mandados de prisão expedido contra eles por suspeita de envolvimento no desvio de grãos que seriam embarcardos pelo terminal para o mercado externo. O ex-superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Daniel Lúcio Oliveira de Souza, apontado como o mentor dos esquemas, preso anteontem, ainda não foi interrogado.
Os supostos envolvidos nas irregularidades - dez pessoas já foram presas em decorrência da Operação Dallas da PF - podem responder pelos crimes de apropriação indébita, estelionato, formação de quadrilha, falsificação de documentos privados, falsidade ideológica, corrupção passiva, advocacia administrativa, corrupção ativa e descaminho.
Segundo o delegado chefe da PF de Paranaguá, Jorge Luiz Fayad Nazário, os crimes eram praticados de quatro formas diferentes e além do desvio de grãos, várias fraudes em licitações foram apuradas. Em um dos casos - na licitação de uma draga de R$ 46 milhões que chegou a anunciar como vencedora uma empresa de Londrina -, propina de 5 milhões de dólares seria repassada aos administradores do Porto. A concorrência foi cancelada pela Justiça Federal. De acordo com Nazário, o crime pode ter cunho político.
''O desvio de 5 milhões de dólares já estava acertado. Ainda bem que foi anulado, porque aí não teve essa distribuição. Segundo rumores, uma parte ia para campanha política, uma parte ia para dividir entre as pessoas'', afirma o delegado.
Por ter vários nomes próximos envolvidos na operação - foram feitas buscas e apreensão nas casas de Eduardo Requião e do suplente para o Senado Luís Mussi - o ex-governador Roberto Requião se manifestou sobre o caso, ontem, pelo Twitter. ''Operação Dallas bem sucedida. Havendo culpados, devem ser punidos. Confio na lisura de meu irmão. Tudo deve ser investigado. Não perdoo nem o pecador, nem o pecado, confio no meu irmão. Dentro da lei tudo deve ser apurado''.
A Comissão Especial de Auditoria instalada pelo atual superintendente da APPA, Airton Vidal Maron, para a fiscalização dos processos investigados pela PF, já iniciou os trabalhos. Ela é formada por seis funcionários da autarquia e irá investigar também os processos de aditivos contratuais que foram questionados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). ''Nossa intenção é descobrir onde houve problemas e evitar que ocorram novamente'', disse o superintendente. Foi apresentado, ontem, um projeto de modernização do corredor de exportação que pretende tornar o embarque de granéis mais seguro no Porto de Paranaguá. O projeto está sendo formulado por uma empresa privada.

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