Nas poucas entrevistas que concedeu após sair da cadeia, Antonio Belinati evitou falar das denúncias de desvio de dinheiro público durante a sua administração. Ao contrário: ele procurou dizer que não guarda ‘‘rancor’’ de seus adversários e que encarou o período em que esteve na prisão como um ‘‘aprendizado’’. ‘‘Foi um grande momento da minha vida’’, disse à reportagem da Rádio Paiquerê AM, ainda na noite de quinta-feira.
Na entrevista, o ex-prefeito reclamou que ‘‘nunca’’ teve a oportunidade de se defender na Justiça das denúncias feitas pelo Ministério Público. ‘‘Nenhum juiz me chamou para dizer assim: olha, o senhor tem que vir aqui esclarecer alguma dúvida, alguma anormalidade, alguma irregularidade que o senhor praticou como prefeito.’’ Na última quinta-feira, no entanto, Belinati se negou a comparecer ao Fórum para prestar depoimento num processo em que é acusado de negar informações sobre a venda das ações da Sercomtel.
Belinati também defendeu que sua prisão não teve amparo legal. ‘‘Eu tenho um apartamento onde moro há quase 13 anos, tenho o meu emprego, estava saindo para ir para o trabalho (quando fui preso)’’, lamentou – destacando que vários advogados se manifestaram contrários à prisão. ‘‘Nunca vi um problema ter quase 100% de unanimidade.’’
Belinati revelou ainda que, antes de sair da cadeia, abraçou o ‘‘pessoal do DP’’ e disse: ‘‘Por vocês, eu ficaria mais tempo aqui.’’ Sobre o futuro político, usou o velho estilo: ‘‘(Depende) em primeiro lugar de Deus, depois do povo.’’ A Folha tentou falar com o ex-prefeito mas ele não retornou as ligações. Em uma das entrevistas, Belinati disse que não daria entrevista a uma determinada emissora de tevê porque, depois, a fita poderia ser editada para fazer ‘‘chacota’’ dele.

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