Brasília - O procurador-geral da República, Claudio Fonteles, voltou a defender ontem o direito de investigar do Ministério Público (MP). ''Se a gente não puder fazer isso, se tudo tiver que passar pelo inquérito policial, vai burocratizar enormemente'', disse, ressaltando que o Ministério Público não tem a intenção de ''substituir a polícia''. O assunto será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Para Fonteles, caso a instituição perca o direito de investigar, quem sairá perdendo é a sociedade. ''Se, em determinados casos, o Ministério Público investiga e logo denuncia, por certo o combate à macrocriminalidade se faz numa maneira muito mais rápida e eficaz.''
Apesar da defesa da investigação como prerrogativa do MP, ele admitiu que houve casos de excesso de procuradores que vazaram informações para a imprensa sobre investigações em andamento. Mas afirmou que o órgão assumiu uma nova postura, que possibilitou a redução das ''iniciativas individuais'' do passado. ''Hoje, o Ministério Público está cumprindo funções com mais consciência, com mais consistência e conjugando verbo na primeira pessoa do plural, que é o nós'', disse.
O procurador-geral da República reuniu ontem jornalistas para fazer um balanço do seu primeiro ano no cargo. No encontro, também voltou a defender o controle externo tanto do Ministério Público quanto do Poder Judiciário. ''Acho que tanto o Poder Judiciário quanto o Ministério Público se encastelaram neste país, e um dos mecanismos para você oxigenar, fazer a participação democrática, é criando os conselhos nacionais (de Justiça e do Ministério Público), em que esses conselhos não teriam só a composição restrita aos membros das instituições, mas outras pessoas de outros segmentos''.

mockup