Fome Zero é exemplo de promessa não cumprida
Para o diretor da FGC Opinião, Marcelo Simas, as altas expectativas geradas pela eleição de Lula já vinham caindo progressivamente e foram aguçadas pelo caso Waldomiro. Mais importante, porém, foi que isso coincidiu com a constatação de que o governo funciona mal e não consegue concretizar promessas e projetos que iluminavam a expectativa popular. Ele cita um exemplo notório: o Programa Fome Zero, que, após 14 meses de governo, não sai do papel.
A diretora-executiva do Ibope, Márcia Cavallari, opina que a crise ainda não deu sinais concretos de que Lula perderá muitos pontos de aprovação. Ela acha que o presidente sempre se mostrou ''descolado'' da avaliação do governo, resultado de seu carisma pessoal e da admiração suscitada por sua história pessoal. Mas adverte que, se o governo não decolar, a tendência inevitável será o índice de insatisfação com o governo puxar a aprovação de Lula para baixo.
O caso Waldomiro teria sido inócuo, segundo Simas, se não fosse a excessiva importância que o governo lhe deu, cometendo o grave erro de aceitar e reconhecer a crise. ''Quando um governo reconhece uma crise dá a ela contornos reais'', salienta. O erro ficou maior quando o governo agiu para abafar uma CPI a qualquer custo. ''Se Dirceu é inocente, que problemas uma CPI poderia trazer ao governo?'', pergunta Simas.
A oposição, segundo ele, mostrou-se competente, fixando seu foco na tentativa de instalar uma CPI ou seja, adotando o antigo discurso do PT. Inverteram-se os papéis: o PT, no governo, tentou de todas as formas abafar a CPI, maculando a admiração que a sociedade lhe devotava. A população percebeu que, no poder, o PT age como os outros partidos. Cabe agora ao governo, para redimir o PT, começar a mostrar resultados concretos, e rapidamente.





