São Paulo - O ministro da Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano da Silva, aposta que o programa Fome Zero vai decolar de vez e ser melhor compreendido pela população a partir do fim deste mês. É quando começará a ser implantado na região do semi-árido nordestino, especialmente ao redor das cidades beneficiadas com o Cartão-Alimentação, programa especial de estímulo à produção agrícola que inclui oferta de crédito, garantia de compra da produção e seguro contra a perda da safra.
Segundo o ministro, isso fecha o círculo virtuoso de desenvolvimento local. Depois do empurrão na demanda, colocando R$ 50,00 por mês nas mãos das famílias e exigindo que sejam gastos com alimentação, o governo agora estimula a oferta de itens alimentares na própria região, e não em regiões mais ricas.
''Vamos começar a desenvolver a economia de mercado em regiões sem comércio local nem circulação monetária'', diz Graziano. ''No fundo, vamos criar a sociedade civil nessas regiões.'' Embora de forma embrionária, essa engrenagem já teria começado a girar, segundo o ministro. Pelas medições de que ele dispõe, o comércio local já estaria vendendo entre 20% e 50% a mais do que antes da chegada do Fome Zero.
Para Graziano, quando a velocidade da engrenagem aumentar, a população entenderá por que a doação de alimentos, embora importante, não é o motor do Fome Zero. ''Se enchêssemos Guaribas e Acauã de alimentos, iríamos perpetuar a fome e a miséria lá'', sustenta.
A proposta do programa é agregar, estimular e coordenar diferentes programas, ligados aos mais diversos órgãos do governo e não-governamentais, para estimular o desenvolvimento em áreas pobres e bem definidas territorialmente. São 50 iniciativas diferentes.

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