Rio de Janeiro O programa Fome Zero, proposto pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), focará, inicialmente, cerca de 8,8 milhões de brasileiros; o equivalente a 20% dos 44 milhões que, segundo cálculos do novo governo, estão vulneráveis à subalimentação diária.
Esta é a estimativa feita por um dos coordenadores do projeto, o professor de Economia Agrícola Walter Belik, da Universidade de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. Segundo Belik que trabalha com José Graziano membro da equipe de transição petista são esses os famintos que poderão ser atendidos, num primeiro momento, com os cerca de R$ 5 bilhões disponíveis no Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza.
Ele explicou ainda que a proposta do partido prevê a distribuição de cupons de, no máximo, R$ 76 reais. Este foi o valor estimado pela equipe petista para que alguém com renda zero consiga consumir as calorias mínimas mensais. O novo governo tentará evitar distribuir dinheiro e pretende fazer as doações fornecendo cartões magnéticos para os pobres cadastrados.
Mas os beneficiados terão de usar o cartão apenas para comprar alimentos em supermercados e mercearias credenciados pelo governo. Os comerciantes, por sua vez, farão o resgate dos cupons no Banco do Brasil (BB) ou em agências do Correio. ''Nossa idéia é evitar que as pessoas usem o dinheiro para outros fins'', comentou.
Lula disse ontem que recebeu um telefonema da direção da FAO, organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) que trabalha no combate à fome, no qual a entidade anunciou que enviará uma equipe técnica ao Brasil para ajudar o seu governo no encaminhamento deste projeto.

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