Brasília O Programa Fome Zero, projeto de maior impacto e mais ambicioso do governo federal, será lançado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não estará completo. Num primeiro momento, serão postas em prática menos de dez das 60 ações da proposta de Lula, que atravessou o Atlântico para pregar uma luta mundial contra a fome e a solidariedade de todos os países no combate à pobreza e à miséria. Várias das ações, como o bolsa-escola e a merenda escolar, foram herdadas do ex-presidente Fernando Henrique.
De acordo com o porta-voz da Presidência, André Singer, cerca de 500 pessoas foram convidadas para o ato de lançamento do projeto. Lula fará um pronunciamento e anunciará a criação do Conselho de Segurança Alimentar (Consea), que terá 60 componentes. Singer disse que o conselho se reunirá em seguida.
No dia 15, o governo dará início a uma campanha nacional no rádio e na TV para prestar esclarecimentos a respeito do Fome Zero. Divulgará os números de pelo menos duas contas bancárias para receber doações. Também dirá para as empresas quais as formas como poderão fazer doações. A equipe de Lula negociou com as emissoras espaços gratuitos para os anúncios.
Lula teve ontem uma reunião com os ministros da Segurança Alimentar, José Graziano, e da Comunicação de Governo, Luiz Gushiken, e com os assessores especiais Oded Grajew e Carlos Alberto Libanio Christo, o frei Betto, para tratar dos detalhes finais do lançamento. De acordo com informação de Lula ao prefeito de Porto Alegre, João Verle (PT), durante o ato de lançamento do projeto do governo, será anunciado o aumento do bolsa-alimentação, hoje de R$ 15 por criança.
Apesar do grande estardalhaço com que será lançado hoje o Fome Zero, o programa somente será totalmente conhecido em agosto, quando será enviado ao Congresso o novo Plano Plurianual de 2004 a 2008. Conforme as informações do Ministério da Segurança Alimentar e do governo, o primeiro passo do programa será o emergencial, destinado exclusivamente a acabar com a fome que atinge milhões de famílias. Depois, deverá atingir 959 municípios do Semi-Árido nordestino.
Está definido, por exemplo, que nos dias 3 e 4, Graziano, e os ministros Roberto Rodrigues, da Agricultura, Benedita da Silva, da Assistência e Promoção Social, e Olívio Dutra, das Cidades, vão a Guaribas e Acauã, no semi-árido do Piauí, a mais de 600 quilômetros de Teresina, para lançar o cartão-alimentação. Por esse programa, cada uma das 716 famílias cadastradas nas duas cidades vão retirar da Caixa Econômica Federal (CEF) R$ 50 mensais para comprar alimentos. Essas mesmas famílias terão suas casas reformadas, ganharão cisternas que captarão a água da chuva e os analfabetos serão matriculados em programas de alfabetização de adultos.
Além das famílias do semi-árido do Piauí, também serão beneficiados no primeiro momento assentamentos e acampamentos rurais, incluindo os do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e aldeias indígenas paupérrimas.

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