Foltran desautoriza coronel Fim
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quarta-feira, 13 de junho de 2001
Luciana Pombo De Curitiba 
O comandante da Polícia Militar (PM) do Paraná, coronel Gilberto Foltran, pediu ontem explicações sobre as discussões ocorridas entre o comandante do 5º Batalhão da PM de Londrina, tenente-coronel Robenson Máximo Fim, e a repórter da Folha, Maranúbia Barbosa. Ele alegou que todo o trabalho profissional tem que ser respeitado e desautorizou qualquer proibição da entrada da jornalista no quartel da PM de Londrina.
Não existe qualquer proibição da presença dela ou qualquer outra pessoa de entrar dentro do quartel. O quartel é público. Ainda mais no exercício de seu trabalho profissional de repórter, garantiu Foltran. Anteontem à tarde, Máximo Fim declarou que a jornalista estava impedida de voltar ao quartel.
As discussões ocorreram durante uma entrevista sobre as punições e prisões aplicadas contra policiais militares que teriam participado ativamente da manifestação e protesto de esposas ocorridos no mês passado. O tenente-coronel se exaltou quando a repórter resolveu perguntar sobre as prisões. Irritado, Máximo Fim chegou a perguntar se ela era mulher de algum PM preso. Eu prendo e mando soltar e isso não é da sua conta, afirmou.
Em explicações ao comandante da PM, Máximo Fim foi mais brando. Disse apenas que ficou irritado com a insistência de perguntas relacionadas ao soldado Marton, considerado um policial de conduta questionável e que estaria sendo mantido em Londrina por força de liminar. Deve ter havido aí algum tipo de interpretação equivocada entre os dois. A mídia e a Polícia Militar vivem um jogo de gato e rato. Temos que contornar isto, considerou Foltran.
A Folha foi até o quartel da PM em Londrina para falar com o grupo de vereadores da Associação de Militares Eleitos e Suplentes do Paraná que foi interceder para que as punições fossem menos rigorosas. Na semana que vem, o grupo promete conversar com o comandante da PM. Foltran reafirmou que todos os policiais que concretamente fizeram atos lesivos ao patrimônio público, no exercício da função policial ou atacou o princípio da disciplina, serão punidos.
As punições na área administrativa poderão ser feitas através de simples advertência até a exclusão dos quadros da PM. Caso seja configurado crime, o policial terá que responder inquérito militar e ficará sujeito às sanções legais. Vão ocorrer prisões na medida que os casos de crime sejam julgados de fato, complementou.
Em Londrina, a Folha recebeu telefonemas de policiais militares, que disseram que o clima é de tensão no quartel. Eles ameaçam novas manifestações caso as retaliações continuem. Os pms disseram ainda que não temem a ação do Exército e que estão melhor treinados e em maior número. Ele (o comandante do batalhão) trata a gente como cachorro e isto acaba se refletindo no trato com a população, justificou um deles.


