Folha já denunciou a violência No dia 25 de novembro do ano passado, a Folha publicou notícia relatando denúncias de tortura contra o então recém-empossado delegado-geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes Noronha. As denúncias foram feitas por dois advogados que contaram que foram presos por Noronha, no dia 9 de dezembro de 1994, sem qualquer mandado de prisão. À época, ele era o delegado titular da Furtos e Roubos de Curitiba. O advogado paulista Leovegildo de Souza Júnior – que foi convidado para depor na semana que vem na CPI – alegava que um grupo de policiais invadiu a residência do advogado Luiz Fernando Comegno (que tinha sido suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil, Seção São Paulo), acusado de estar envolvido no assalto ao Banco América do Sul, no bairro do Portão. Na casa dele, a Polícia teria apreendido celulares contrabandeados. Souza Júnior teria sido preso por tentar defender o amigo. ‘‘Não tinha nada de concreto contra o Comegno, muito menos contra mim. Então nos acusaram de contrabando’’, afirmou ele. Na delegacia, Comegno teria sido torturado para confessar participação no assalto ao banco. ‘‘Eles me penduraram num pau-de-arara, me deram choques elétricos, esguicharam água e colocaram plásticos na minha boca. Também fui jogado em pneus. Nunca me manifestei até agora porque tinha medo’’, disse Comegno na ocasião. Comegno contou que ficou seis meses preso enquanto aguardava o julgamento e perdeu sua empresa de telecomunicações. Atualmente, ele está advogando em Curitiba. Entrevistado pela Folha, Noronha negou que tivesse praticado qualquer tipo de tortura e reafirmou que tinha provas contra Comegno. Ele disse ainda, na época, que acreditava que as denúncias eram reflexo de pressão política dentro da própria Polícia. ‘‘Algumas pessoas da corporação que talvez aguardassem uma indicação para um determinado setor podem ter ficado insatisfeitas’’, argumentou ele. Procurado ontem pela Folha, Souza Júnior confirmou que foi convidado para dar declarações à CPI pela assessoria do deputado federal Celso Russomano (PPB-SP). Ele deve ser ouvido na quinta-feira.(L.P.)