Depois de insistentes tentativas, o ex-governador Ney Braga recebeu a reportagem da Folha em sua casa no dia 9 de agosto deste ano. A idéia era ouví-lo sobre suas experiências como ministro da Agricultura e da Educação, ex-governador e deputado, uma vez que estávamos em plena campanha eleitoral para a prefeitura e Câmara de Vereadores.
Mas, aos 83 anos e com dores no corpo, Ney Braga não se animou a falar muito. Estava sentado numa sala íntima da casa onde morou por mais de 40 anos, no Bairro Batel, rodeado pela mulher, Nice, das filhas e netas. Nice Braga fez questão de buscar algumas fotografias de momentos marcantes na carreira política do marido e de mostrar a última foto com a família reunida.
De qualquer maneira, Ney Braga fez questão de autografar um exemplar do seu livro biográfico e de alertar os candidatos para que prestassem mais atenção à Educação, uma das pastas que mais o apaixonaram durante tantos anos na política. ‘‘O importante é que se trate da saúde, da educação e da segurança. Tenho certeza que os novos políticos vão saber resolver esses problemas. O Paraná é um estado feliz e Curitiba tem grandes possibilidades’’, profetizou.
Sobre os atos de sua incansável carreira política, Ney Braga lembrou com saudade da abertura da Estrada do Café. ‘‘Foi esta estrada que uniu o Norte ao Sul do Paraná. A região Norte era muito ligada a São Paulo e com a abertura da Estrada do Café os paranaenses puderam se conhecer melhor, unificar. A Telepar, a Celepar, a Café do Paraná e vários outros órgãos foram empresas importantes para ao desenvolvimento do Estado’’, recordou emocionado ao dizer que foi em seu governo que essas empresas foram inauguradas.
Logo depois, no dia 31 de agosto, Ney Braga precisou ser internado no Hospital Santa Cruz. Estava desnutrido e com princípio de desidratação. ‘‘Ele recusa-se a comer. Come muito pouquinho. Vai ficar no soro uns dias para recuperar-se mais rápido’’, disse Nice que não saiu do seu lado um dia sequer. Ney Braga ficou internado vários dias.
Ao voltar para casa, Ney Braga fraturou o fêmur no dia 3 de outubro, num acidente doméstico, e teve de voltar a ser hospitalizado. Não aguentou as dores de um câncer degenarativo dos ossos e morreu ontem às 8h30.