Curitiba - O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), assinou ontem de manhã, durante reunião com o secretariado, resolução que congela o salário dele, da vice-governadora Cida Borghetti e de todos os outros membros do primeiro escalão. O reajuste, de 14,6%, poderia ter sido aplicado em 1º de janeiro, A decisão pelo congelamento no contracheque foi tomada depois da repercussão negativa dos reajustes concedidos a políticos e magistrados ao mesmo tempo em que os professores estaduais entraram em greve por atraso no pagamento de férias e salários. Com essa medida, o governador, que teria direito a receber mensalmente R$ 33,7 mil, continua este ano com salário de R$ 29,4 mil.
Embora a assinatura da resolução congelando os salário tenha sido a primeira pauta da reunião, a crise financeira que atinge o Estado tomou a maior parte do tempo do encontro, que durou cerca de três horas. Após a reunião, no Palácio do Iguaçu, Beto Richa concedeu entrevista aos jornalistas que esperavam do lado de fora do gabinete. Foi a primeira vez que o tucano atendeu coletivamente a imprensa desde o dia 9 de fevereiro, quando professores estaduais iniciaram o movimento de greve.
Beto disse que a decisão do congelamento dos salários é uma forma de mostrar que o Executivo está contribuindo com as medidas de austeridade. "Todos nós estamos participando desse esforço para enfrentar essa crise financeira nacional, que atinge todos os estados brasileiros", afirmou. O chefe da Casa Civil, Eduardo Sciarra, que acompanhou o governador à coletiva de imprensa, justificou que financeiramente o congelamento dos salários não vai significar uma economia importante.
"Não é significativa essa economia, mas é significativo esse gesto. Em momento de dificuldades, nós, secretários, governador, vice-governadora, estamos dando o exemplo que podemos abrir mão do reajuste", comentou.
Boa parte da reunião foi usada pelo secretário de Fazenda, Mauro Ricardo Costa, para falar sobre a situação financeira do Estado. Segundo Beto, o secretário mostrou que o cenário é ainda mais difícil do que se imaginava, pois quando o orçamento desde ano foi elaborado, em 2014, a previsão era que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional tivesse crescimento maior. "Nós tivemos um orçamento elaborado para este exercício que será revisto para que as diversas áreas do governo não gastem aquilo que não se realiza", disse. Segundo o tucano, o Estado teve, em fevereiro, uma redução de receita de R$ 500 milhões em relação a janeiro, principalmente por conta do Carnaval e do mês mais curto com 28 dias.
Beto admite que o Paraná está com dificuldades para pagar seus compromissos, porém ressaltou que a folha de pagamento dos servidores é prioridade. Sciarra lembrou que o Estado tem adotado uma série de medidas para redução de despesas, sendo que uma delas foi chamar para sala de aula 14 mil professores que ocupavam funções administrativas ou estavam afastados para cursos. O remanejamento, segundo o chefe da Casa Civil, permitiu reduzir a contratação de temporários.
Reuniões como essa acontecerão mensalmente com o objetivo de incentivar, entre as secretarias e autarquias, a adoção de projetos transversais, otimizando recursos humanos e financeiros.
Sobre o projeto que trata de mudanças na ParanaPrevidência e que será encaminhado para a Assembleia Legislativa, na semana que vem, o governador disse a proposta está sendo discutida com membros do Ministério Público (MP), funcionalismo e sociedade.

mockup