O governo do Estado terá que desembolsar cerca de R$ 560 milhões para cobrir as folhas de pagamento de dezembro e o 13º salário dos funcionários públicos. A folha mensal consome, em média, R$ 280 milhões. Apesar de a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel) ter fracassado, pelo menos por enquanto o primeiro escalão do Palácio Iguaçu garante que os cofres públicos têm os recursos necessários para que os pagamentos sejam feitos em dia.

Este ano, pela segunda vez consecutiva, o Tesouro não será aliviado pela tradicional operação ''raspa-tacho'' o governo recebia as sobras de caixa dos órgãos da administração pública direta e indireta e autarquias. Para isso, uma mensagem pedindo carta branca para sequestrar os recursos era aprovada, no final do ano, pela Assembléia Legislativa. O Departamento de Trânsito (Detran), que concentra o recebimento de multas, costumava render as maiores fatias do bolo.

No entanto, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) em vigor desde maio do ano passado impede essa prática, e o governo se viu obrigado, legalmente, a abrir mão desses recursos. A reportagem pediu, durante dois dias seguidos, que a Secretaria da Fazenda fornecesse quanto rendeu o último ''raspa-tacho''. Mas a assessoria de imprensa não repassou a informação. Em 1998 e 1999, segundo a Folha apurou, o valor médio sequestrado foi de R$ 12 milhões.

O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, disse que o Estado tem condição de pagar as duas folhas em dia. ''Desde que o governador Jaime Lerner (PFL) assumiu, nunca deixamos de pagar'', observou. ''Houve um saneamento das contas públicas. Não dá para fazer 'loucuras', mas temos o suficiente para pagar despesas e obrigações'', assegurou Campêlo. O governo, no entanto, teve que promover uma série de medidas de contenção de despesas. Adotou o turno único nas repartições públicas e instituiu férias coletivas compulsórias, para economizar cerca de R$ 30 milhões.

De acordo com o chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, não serão necessários empréstimos para cumprir as folhas. O pagamento mensal dos servidores é no dia 1º de cada mês, e o 13º tem sido pago integralmente no dia 20 de dezembro.

Apesar de negarem que o Estado viva uma crise financeira, aliados próximos ao Palácio Iguaçu garantem que o governo tem um ''plano B'' arrematado para a situação financeira do Paraná, mesmo sem a venda da Copel. O plano estaria baseado no aumento de arrecadação, e não na venda de ativos. Os imóveis do Estado, por exemplo, estão entrando como doação em pagamento para o fundo de previdência.

O governo arca com um déficit previdenciário próximo a R$ 100 milhões mensais. Os recursos da venda da Copel estavam sendo apontados como a solução para o problema. O governo aposta no pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) em janeiro, para aliviar eventuais problemas de caixa. O Palácio Iguaçu fixou desconto para o pagamento à vista porque tem pressa na entrada de receitas no início do ano. Os cofres públicos ficam prejudicados com o pagamento de duas folhas.

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