Fogo amigo é característica do governo Lula
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domingo, 13 de novembro de 2005
Roldão Arruda<br>Agência Estado 
Brasília - O fogo amigo tem sido uma característica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, desde sua posse em 2003. Quando comandava o Ministério de Minas e Energia, a atual chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, andou às turras com Marina Silva. Dilma nunca engoliu as restrições impostas pelo Ministério do Meio Ambiente aos pedidos de licenças ambientais para a construção de usinas hidrelétricas.
Marina também já se desentendeu com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. No ano passado, quando o governo discutia o uso de sementes transgênicas e a Lei de Biossegurança, ela e Rodrigues estavam em campos opostos.
O ministro da Agricultura não faz parte do time dos que lavam roupa suja em público. Nem o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto. Mas é notório que os dois não se entendem no tratamento da questão agrária. Rodrigues é empresário e incentivador do agronegócio do País; Rossetto, um dos últimos representantes da esquerda no PT no ministério, vê a redistribuição de terras quase como uma causa santa e faz reservas ao agronegócio.
O ex-presidente do BNDES Carlos Lessa alardeava as divergências que tinha com seu superior hierárquico, o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Furlan. Era tão ostensivo que se reportava diretamente ao presidente da República, atropelando Furlan. Acabou caindo.
A briga entre desenvolvimentistas e monetaristas também não é nova. O vice-presidente da República, o industrial José Alencar, critica os juros altos desde que tomou posse.
Para alguns especialistas, tantos desentendimentos indicam a falta de orientação política no governo. O pior, segundo esses especialistas, é que a situação tende a se agravar.


