Foco no Moro
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quarta-feira, 06 de fevereiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Foco no Moro
Obviamente, a OAB tem todos os motivos, até por motivações históricas recentes, para submeter o pacote contra o crime e a corrupção de Sergio Moro ao máximo rigor pela circunstância de derrogar leis e enfatizar a segurança. Entre outras coisas estão previstas a questão que divide o próprio Judiciário e criminalistas na prisão pós segunda instância e na criminalização definitiva do Caixa 2 eleitoral quando a aspiração da fauna (e que não oculta) é uma anistia para tratar a deformação, genericamente praticada, em pecado venial.
Isso aí é tão combustível quanto uma pauta de costumes, como se referiu Rodrigo Maia à questão da Escola sem Partido, a qualquer momento fulminada nos tribunais superiores, como fermento ideológico suficiente para perturbar a marcha da reforma previdenciária. Um dos alvos do pacote na questão do crime organizado é a milícia com a qual não poucos são vinculados, inclusive gente próxima ao presidente da República. Se o governo não puder combater as milícias estará inabilitado para qualquer incursão contra a impunidade e é indispensável que não haja subterfúgios em questões como essa, valendo-se do recurso dos mimetismos judiciais como forma de driblar a força da lei.
Nesse sentido, haverá muita polêmica e que testará convicções de moralistas que aparentam radicalidade mas não querem abrir mão de suas práticas clientelísticas. É uma espécie de jogo da verdade e que testará o bônus e o ônus da presença do ministro Moro no sistema.
Além da oratória
Ratinho Junior transforma sua obsessão pela austeridade em prática sistemática, como se deu, dias passados, em intervenção na Assembleia, quando prometeu para breve dar os números da economia em despesas não apenas em função da redução das secretarias, salários tanto o seu como o dos colegas, mexida em contratos como os do Detran e da Copel que implicam em R$ 22 milhões anuais e assim por diante. Para que a pregação gere na equipe uma forma calara de comprometimento e opere a resposta desejada é indispensável o registro de cada feito e tudo traduzido num monitoramento rígido.
Quanto à aposentadoria de ex-governadores, opta por uma linha de sensatez: de fazê-la daqui para a frente com o que também marca afinal como seu o limite e o feito, o que afasta qualquer sinal de vaidade como ajuste à linha que traçou.
Além da pregação, um acompanhamento diário dessas vitórias que, por pequenas que sejam, só têm sentido como conjunto para firmar o sentido da arregimentação.
Flui a "Quadro Negro"
Juliano Borghetti, irmão da ex-governadora Cida, está formalmente denunciado na "Quadro Negro" por recebimento de propina da Valor, a empresa envolvida, cujo proprietário, Eduardo Lopes de Souza, é um dos delatores premiados ao lado de Maurício Fanini, superintendente da Secretaria da Educação. Nada a ver uma coisa com outra, pois Juliano, ex-vereador, foi preso por causa daquele tumulto da torcida atleticana ante a vascaína em Joinville.
Abre-fecha
Durante o período sob influência da recessão, o normal era haver mais fechamento do que abertura de empresas do varejo no Brasil e pesquisa recente da Boa Vista, que administra o Serviço de Proteção do Crédito, SCPC, aponta que houve um crescimento da ordem de 14% de novas unidades em relação ao ano anterior. O Paraná, que aparece positivamente em 5º, teve 762 novas lojas. Para dar uma ideia da evolução, em 2017 tivemos 951 fechamentos e em anos anteriores muito pior, com 8.309 fechando em 2016 e 9.643 em 2.015. É muito mais que um respiro e se junta ao clima positivo do novo governo e que poderá consolidar-se com as tão proclamadas reformas. Tanto que a expectativa da Confederação Nacional do Comércio é que haja incremento de 5,8% no varejo e que ao fim deste ano haja 23,3 mil novos estabelecimentos.
Há quatro anos havia, no Paraná, mais fechamentos que abertura. Festejemos com foguetes, mas sem estampidos em louvor aos cachorrinhos.
Pressão
Com a alta adiada do presidente Jair Bolsonaro para segunda-feira (11) será inevitável a presença no noticiário do vice-presidente Hamilton Mourão em razão da interinidade. Opina sobre tudo, inclusive a mais recente, sobre as irregularidades eleitorais praticadas pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, ao afirmar que se forem verdadeiras é gravíssimo. O ministro teria bancado com dinheiro público esquema de laranjas na eleição.
Folclore
Mais uma de Benedito Valadares, que teve que ir ao oculista por causa de um tersol. Aí ele chega na roda de amigos e diz que está com um tersol na vista e ouve a observação de um purista da língua que "tersol na vista" é uma redundância, um pleonasmo.
Repique do político mineiro: "pleonasmo, coisa nenhuma. O doutor me garantiu que se trata de tersol." Explicações de políticos quase sempre esbarram na gramática, como o cara do Enem se referindo aos cidadões.


