Brasília O início do horário eleitoral gratuito e a conclusão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), avalizado pelos principais presidenciáveis, colocou em segundo plano o debate sobre as políticas macroeconômicas, que havia roubado a cena em junho e julho, durante as turbulências do mercado financeiro. Preocupados com os votos, os presidenciáveis mudaram o foco do discurso para o social, para se aproximar do eleitorado.
A palavra de ordem dos discursos, assim como dos programas, é emprego. O petista Luiz Inácio Lula da Silva promete criar 10 milhões deles se for eleito, e o tucano José Serra, com seu Projeto Segunda-Feira, acena com 8 milhões de postos de trabalho. Os candidatos do PPS, Ciro Gomes, e do PSB, Anthony Garotinho, não se comprometem com metas, mas também elegeram como prioridade o combate ao desemprego e a retomada do crescimento.
''Vamos estimular os setores que tenham maior capacidade de absorver mão-de-obra, como construção civil, agricultura e turismo'', afirma o economista Tito Ryff, coordenador do programa de Garotinho.
Apesar de uma taxa média tão alta não ser verificada desde a década de 70, os candidatos construíram programas de governo compatíveis com esse cenário otimista. E apesar das graves restrições externas e internas enfrentadas pela economia brasileira, apostam em juros mais baixos, crescimento das exportações e aumento da renda interna. Ao mesmo tempo, juram de pés juntos que cumprirão todos os contratos firmados pelo atual governo.
Serra, Lula, Ciro e Garotinho também comprometeram-se em manter um superávit fiscal de 3,75% do PIB no próximo ano, mas acenam com mais investimentos, apoio à agricultura e outras propostas que custam caro aos cofres públicos. A aparente contradição já foi explorada pelo candidato do PSTU, José Maria de Almeida, que criticou seus adversários por dizerem ''amém ao FMI'' em um dia e no outro prometerem gerar milhões de empregos.
''A hora da verdade virá quando mudar o governo e tiver de cumprir os compromissos da dívida'', avalia o sociólogo Emir Sader. Na sua opinião, os candidatos de oposição viram-se forçados a concordar com o acordo com o FMI por causa das circunstâncias da crise e das pressões dos mercados, mas quem ganhar a eleição terá de renegociar a dívida, dado o peso atual dos juros sobre o orçamento fiscal.
Durante a campanha, Ciro chegou a defender um alongamento negociado dos prazos dos títulos públicos para contornar a escalada do endividamento público, o que foi interpretado pelo mercado como uma forma de ''calote''. Hoje seus assessores afirmam que o mais importante a ser corrigido é o custo e o perfil da dívida, gradativamente, no ritmo do mercado. Já o deputado Aloízio Mercadante (PT), coordenador do programa de Lula, afirma que a única forma de alongar a dívida é através de mecanismos permanentes que restabeleçam a confiança do mercado no crédito público.

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