Acostumados a serem criticados - tanto por manter uma excessiva presença, quanto por sua ausência nos países em crise - os funcionários do FMI ignoraram as declarações do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, em defesa da ‘‘soberania nacional’’ do Brasil. A rejeição dos brasileiros em relação à organização, incumbida de socorrer governos com problemas, é conhecida há meio século: data do governo de Juscelino Kubitschek, o primeiro político a perceber que falar mal do Fundo dava popularidade.
Ontem, a delegação brasileira, chefiada pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, manteve inalterada a rotina, iniciada há nove dias em Washington. Logo cedo esteve na sede do FMI, para tentar fechar um acordo nesta ou na próxima semana, e obter o quanto antes a liberação de US$ 9 bilhões - a segunda parcela de um pacote de ajuda financeira internacional, de US$ 41,5 bilhões.
‘‘As negociações estão bem encaminhadas’’, disse Bier. Segundo ele, a parte substancial das discussões está praticamente concluída, ‘‘mas falta ainda acertar muitos detalhes’’. Ele não quis antecipar quando espera fechar esse novo acordo, que substituirá outro, acertado no fim do ano passado. As metas do primeiro - jamais cumpridas porque o Brasil mudou sua política de câmbio e desvalorizou o real - estão sendo revistas.

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