Fluxograma mostra o caminho do dinheiro desviado
Desvio de R$ 270 mil seguiu esquema do escândalo AMA/Comurb com recursos da Sercomtel
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sexta-feira, 27 de julho de 2001
Desvio de R$ 270 mil seguiu esquema do escândalo AMA/Comurb com recursos da Sercomtel
O desvio de R$ 270 mil dos cofres municipais, atribuído ao ex-prefeito Antônio Belinatti (sem partido), seguiu o mesmo rito das inúmeras operações fraudulentas do chamado escândalo AMA/Comurb, por onde teriam sido desviados aproximadamente R$ 200 milhões da Prefeitura de Londrina. O esquema de corrupção foi alimentado pelos R$ 186 milhões resultantes da venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel.
O fluxograma montado pelo Ministério Público (MP) mostra o caminho seguido pelos recursos desviados dos cofres municipais. Inicialmente o dinheiro ficava na conta do Conselho de Gestão Financeira (Cogefi), criado para administrar os recursos da venda da Sercomtel. Depois era transferido para a conta geral da prefeitura, que por sua vez repassava ao Fundo de Urbanização de Londrina (FUL). Antes das licitações serem "fabricadas", o FUL autorizava o pagamento das cartas-convite.
Os R$ 270 mil que levaram A. pela segunda vez à prisão se referem às cartas-convite 42/98, 44/98 e 45/98. Em 12 de agosto de 1998 o FUL emitiu um cheque de R$ 143.232,50 para uma empresa e um DOC (transferência bancária) de R$ 116.760,00 para a Cunha & Castro Ltda (de Vicente de Paulo Cunha e Castro).
No dia seguinte, a empresa depositou um cheque de R$ 80 mil na conta de Cassimiro Zavierucha, o "Carlos Júnior", que repassou R$ 3,5 mil para a conta da vice-governadora Emília Belinatti. Ele também fez diversos repasses a pessoas que teriam trabalhado na campanha do deputado estadual Antônio Carlos Belinati (PSL), como o ex-prefeito de Tamarana, Edson Siena, que confirmou ao MP ter recebido o dinheiro para despesas de campanha. Vereadores também receberam recursos originários das carta-convites.
A Cunha & Castro promoveu uma "distribuição" dos R$ 116,7 mil depositados na conta da empresa, mas antes sacou R$ 54,2 mil em dinheiro do valor recebido do FUL. Outros R$ 35 mil foram encaminhados, via DOC, ao atual prefeito de Faxinal, Juarez Barreto Macedo. O ex-prefeito de Rosário do Ivaí, Carlos Roberto Wosiack, recebeu um depósito de R$ 18 mil. Para o ex-presidente da Comurb, Cléber Tóffoli, foram repassados R$ 4 mil. Dirceu Bucco, liderança política de Curiúva, também recebeu R$ 5 mil. Algumas operações não foram identificadas.





