Fluxo em rodovias não prevê novas obras
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terça-feira, 24 de julho de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os investimentos nas estradas do Paraná ainda não estão relacionados ao aumento do fluxo de veículos. A constatação é feita com base em dados divulgados pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) e revelaria, na opinião da especialista Gilza Fernandes Blasi, do departamento de transportes da Universidade Federal do Paraná, que na hipótese de um aumento repentino do tráfego nas estradas, em função do recente ''apagão aéreo'', por exemplo, haveria dificuldade na adequação estrutural do sistema rodoviário.
Gilza destaca, no entanto, que não precisaria de um ''apagão aéreo'' para considerar que o movimento das estradas atualmente requer investimentos. ''Já há uma falência no sistema. Nas rodovias pedagiadas no Estado as condições atendem a demanda, sem entrar no mérito das tarifas cobradas, mas em outros trechos as administrações federal e estadual estão sendo totalmente negligentes'', afirma ela. ''Nos últimos dez anos, a falta de técnicos nos setores de planejamento dos órgãos públicos prejudicou os estudos de tráfego, que servem de base para se fazer investimentos'', afirma ela. ''No Brasil, os sistemas de transporte precisam falir para que se assuma que há um problema''.
O inspetor Marcelo Furtado, chefe do núcleo de Comunicação Social da Polícia Rodoviária Federal (PRF), admitiu que, se aumentar o fluxo de veículos, não há equipes suficientes para atender os usuários. ''Já operamos no limite'', afirma ele. Números da ABCR revelam que, em junho de 2007, em comparação a junho de 2006, houve um crescimento de 10,7% no número de veículos. O aumento no fluxo é considerado ''natural'', afirma Gilza, porque está ligado ao desenvolvimento do Estado.
O presidente da Regional Paraná da ABCR, João Chiminazzo, admite que as obras que já foram realizadas nas estradas, ou que ainda serão concluídas, foram sugeridas pelo contrato estabelecido com o Governo do Estado, datado de 1998. Ou seja, a possibilidade de um aumento futuro no fluxo de veículos não foi levada em consideração no momento em que se estabelecia quais obras deveriam ser realizadas pelas empresas. Pelo contrato, o ''risco de tráfego'', afirma ele, ficou com as empresas. ''Se o Paraná deixar de ser agrícola, industrial, e o fluxo diminuir, são as concessionárias de pedágio que assumirão o prejuízo. O oposto é verdadeiro. Se aumentar o fluxo de veículos e a capacidade da rodovia se esgotar, o problema também será das empresas.''
Apesar disso, Chiminazzo garante que o contrato não impede que as concessionárias invistam na melhoria do tráfego, se necessário, mas alerta: tal investimento só será possível se o Governo do Estado se propor a ''rever os reequilíbrios financeiros, desde 2003''. ''O Estado ignora o contrato financeiro. Mais para frente vai dar problema'', alerta ele.
Chiminazzo acrescenta que, no início da concessão pública, em função já dos problemas de reequilíbrio financeiro não concedidos pelo Estado, obras de duplicação de vias, por exemplo, foram canceladas. Uma das obras que não foi concretizada é a duplicação da BR-376, a Rodovia do Café, que liga Curitiba ao Norte do Estado. A expectativa de receita das concessionárias de pedágio não foi atingida, explica ele, porque o Estado manteve a tarifa reduzida em 50% durante 20 meses. Ao apelar à Justiça, o Estado perdeu a briga e fez um acordo com as empresas.


