Brasília - O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciou, nesta quarta-feira (5), o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como o candidato a vice em sua chapa para a disputa ao Palácio do Planalto.

A escolha confirma a formação de uma "chapa pura" do Partido Liberal. A definição ocorreu após negociações com partidos do Centrão (como PP, Republicanos e MDB) resultarem em posicionamentos de neutralidade no cenário nacional, além de recusas e desistências de nomes femininos cotados para o posto, como a senadora Tereza Cristina e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques.


QUEM É ALFREDO GASPAR?

Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, 55 anos, é advogado e ex-membro do Ministério Público. Ele possui trajetória marcada pela atuação na área do direito penal e da segurança pública.
Atuou por 24 anos como promotor de Justiça e chegou ao cargo de Procurador-Geral de Justiça do Estado de Alagoas. Coordenou o Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC) e presidiu o Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado (GNCOC).

Foi ainda secretário de Segurança Pública de Alagoas em diferentes períodos durante a gestão estadual. Disputou também a Prefeitura de Maceió em 2020 pelo MDB. Em 2022, foi eleito deputado federal por Alagoas filiado ao União Brasil, migrando posteriormente para o PL a convite da liderança do partido.

ATUAÇÃO NO CONGRESSO

Ganhou visibilidade nacional ao assumir a relatoria da CPMI do INSS no Congresso Nacional, comissão criada para apurar fraudes e descontos indevidos em aposentadorias. Com o perfil de ex-promotor e especialista em segurança, a indicação busca reforçar no discurso de campanha as pautas de enfrentamento ao crime organizado e combate à corrupção.


Ao contrário de outros nomes do cenário político nacional, Alfredo Gaspar não possui condenações nem histórico de grandes inquéritos de corrupção ou improbidade administrativa consolidados no Supremo Tribunal Federal (STF).

O histórico recente do parlamentar registra, contudo, desentendimentos e disputas judiciais no âmbito político

No exercício da relatoria da CPMI do INSS, Gaspar protagonizou bate-bocas acalorados com congressistas da base governista. O episódio resultou em acionamentos cruzados no STF e na Polícia Federal envolvendo acusações mútuas de calúnia, injúria e difamação entre ele e parlamentares da oposição interna na comissão.

No Congresso, atuou em comissões técnicas (como a CCJ) emitindo pareceres alinhados à ala oposicionista, o que o colocou em frequente embate com a base de sustentação do governo federal no Legislativo.

ACUSAÇÃO DE ESTUPRO

Segundo a revista Veja, Alfredo Gaspar foi denunciado em 2024 por suposto estupro de vulnerável contra uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado. As acusações vieram à tona durante sessão da CPMI do INSS. O deputado negou as acusações e as classificou de “falsas, levianas e absolutamente irresponsáveis”. Pouco depois, ele fez um exame de DNA no Laboratório de Genética Forense de Alagoas. Mas o resultado não foi divulgado ainda. Gaspar afirmou à época que processaria por calúnia o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que fizeram as acusações.

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