Imagem ilustrativa da imagem Flávio Bolsonaro e Queiroz são alvo de operação da Promotoria do Rio
| Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Rio - O senador Flávio Bolsonaro (sem partido), o policial militar aposentado Fabrício Queiroz e outros ex-assessores do filho do presidente Jair Bolsonaro foram alvo nesta quarta-feira (18) de uma operação comandada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Entre os 24 alvos da operação que apura suposta lavagem de dinheiro, também estão parentes de Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

Foram recolhidos documentos e celulares na casa de alguns dos alvos. O Ministério Público ainda não se pronunciou sobre a operação, alegando que o procedimento corre sob sigilo. As buscas e apreensões ocorrem após quase dois anos do início das investigações contra o PM aposentado. A Promotoria fluminense recebeu em janeiro de 2018 o relatório do Coaf (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) apontando movimentações atípicas de Queiroz.

No caso de Flávio, o alvo de busca e apreensão foi a loja de chocolates do senador. A firma é citada num relatório do Coaf que descreve oito transferências que somam R$ 120 mil dela para o senador entre agosto de 2017 e janeiro de 2018. A empresa também foi alvo de quebra de sigilo bancário e fiscal pela Justiça em abril.

Queiroz é pivô de uma investigação que tem como alvo o próprio senador e outras 101 pessoas físicas e jurídicas, que tiveram os sigilos bancário e fiscal quebrados. A Promotoria suspeita de um esquema conhecido como "rachadinha" no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro no período em que foi deputado estadual e manteve Queiroz como seu empregado (2007-2018).

A prática consiste em coagir servidores a devolver parte do salário para os deputados. Estão sendo investigados crimes de peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e organização criminosa.

Além do volume movimentado, chamou a atenção a forma com que as operações se davam: depósitos e saques em dinheiro vivo em datas próximas do pagamento de servidores da Assembleia Legislativa do Rio. Queiroz afirmou que recebia parte dos valores dos salários dos colegas de gabinete. Ele diz que usava esse dinheiro para remunerar assessores informais de Flávio, sem o conhecimento do então deputado estadual.

A sua defesa, contudo, nunca apontou os beneficiários finais dos valores. Flávio, por sua vez, afirmava que quem devia explicações sobre a movimentação financeira era seu ex-assessor. Desde que o caso foi revelado, Queiroz teve raras aparições públicas. De acordo com sua defesa, ele está em São Paulo desde dezembro do ano passado para o tratamento de um câncer. A apuração ficou pouco mais de quatro meses interrompida por liminar do ministro Dias Toffoli, do STF, alegando que o Coaf não poderia compartilhar dados detalhados das movimentações bancárias - tese que foi derrotada no plenário no início do mês.

Embora estivesse empregado no gabinete de Flávio de 2007 a 2018, a origem da relação de Queiroz com a família Bolsonaro é o presidente da República. Os dois se conhecem desde 1984 e pescavam juntos em Angra dos Reis. O PM aposentado também depositou R$ 24 mil na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro em 2016. O presidente afirma se tratar de parte da quitação de um empréstimo de R$ 40 mil. Queiroz também passou a ser uma dor de cabeça para a família presidencial para além da questão financeira. Foi o PM aposentado quem indicou duas parentes do ex-capitão Adriano da Nóbrega para ocupar cargos no gabinete de Flávio na Assembleia.

DEFESA

O advogado Frederick Wassef, defensor do senador Flávio Bolsonaro, disse que não teme os resultados da nova incursão do MP. Wassef afirmou que ainda não teve acesso à decisão judicial que autorizou buscas em 24 endereços e que pretende tomar medidas contra o vazamento da operação.

O advogado disse que os investigadores "não vão lograr êxito, nada de errado vão encontrar porque jamais existiu esquema de 'rachadinha' no gabinete". "Arrombaram a porta, pelo que sei, um absurdo. Imagine o estrago que isso causa, clientes assustados, temerosos de comprar alguma coisa", reclamou.

Já a da família de Queiroz afirmou que recebe a ação "com tranquilidade e, ao mesmo tempo surpresa, pois é absolutamente desnecessária". "Ele sempre colaborou com as investigações, já tendo, inclusive, apresentado todos os esclarecimentos a respeito dos fatos", disse o advogado Paulo Klein.

"Ademais, surpreende que o mesmo MP reconhecendo que o Juízo de Primeira instância seria incompetente para processar e julgar qualquer pedido relacionado ao ex-deputado o tenha feito e obtido a referida decisão", disse o advogado. Ele se refere ao posicionamento da procuradora Soraya Gaya, que atua na 2ª Câmara Criminal, que foi favorável à concessão de foro privilegiado ao senador em habeas corpus protocolado por Flávio.

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