Flávio Bolsonaro divulga carta nos EUA e se diz 'presidente eleito'
Derrotado por Lula no segundo turno, senador do PL apagou depois a publicação e mudou o termo para `líder do Brasil´
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quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Derrotado por Lula no segundo turno, senador do PL apagou depois a publicação e mudou o termo para `líder do Brasil´

Brasília - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições do segundo turno no último domingo (25), divulgou carta pública, nesta quarta-feira (28) após sua chegada aos Estados Unidos, para onde viajou acompanhado de sua família. A viagem, tratada como fuga pela PF (Polícia Federal), ocorreu em meio ao descumprimento de uma determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) que ordenava a entrega de seus passaportes.
Na mensagem, Flávio utilizou um tom de contestação às instituições brasileiras e ao resultado das eleições. O parlamentar classificou a si mesmo na carta como o "presidente eleito" e afirmou que o processo eleitoral brasileiro carece de segurança e transparência. Logo depois, ele apagou a publicação e se declarou `líder do Brasil´.
“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, afirmou Flávio, que agradeceu publicamente os presidentes Javier Milei, da Argentina, e Donald Trump, dos Estados Unidos, por auxiliarem no processo de fuga. Ele comparou seu episódio ao de Rui Barbosa, que precisou se exilar por motivos de perseguição política durante o governo do marechal Floriano Peixoto, e María Corina Machado, líder da oposição à ditadura de Nicolás Maduro.
Em entrevista nesta quarta, Trump disse que não vai se "envolver" após Flávio afirmar que "é o verdadeiro presidente do Brasil".
Depois de vencer o primeiro turno com com 47,03% dos votos válidos contra 45,16 % de Lula, Flávio liderava as pesquisas de intenção de voto e acabou derrotado nas eleições do segundo turno no último domingo (25) pelo atual presidente por 51,79% a 48,21%.
Aliados do senador apontaram que a viagem ao exterior ocorreu devido ao receio de uma eventual prisão decorrente do avanço de inquéritos no STF. Em publicações, ele declarou que as medidas judiciais contra ele são uma "tentativa de intimidação" e questionou a segurança jurídica no país para opositores.
Flávio é investigado em inquéritos que tramitam no Supremo. Em um deles, é suspeito, ao lado do advogado Willer Tomaz, de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de bets. Ele também é alvo de outro inquérito que investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de seu pai.
O senador alega estar sendo vítima de um ambiente de restrição de direitos políticos, justificando sua permanência em solo norte-americano como medida de proteção pessoal e política.
PF APURA FUGA
A PF (Polícia Federal) informou, nesta quarta-feira, que está investigando as circunstâncias da fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil. O senador desobedeceu decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que o proibiu de deixar o país e determinou a entrega de seus passaportes pessoal e diplomático.
Em nota, a corporação afirma que atua nos limites da lei e que "a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”.
Flávio, sua mulher Fernanda e as duas filhas adolescentes Luíza (14 anos) e Carolina (12 anos) cruzaram a fronteira com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27), por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones.
Às 23h30, a família embarcou em um avião privado rumo a Guayaquil, no Equador. As informações foram confirmadas pela Direção Nacional de Migrações da Argentina. A aeronave pousou pouco antes das 10h30 (horário de Brasília) desta quarta-feira no aeroporto Opa-Locka, em Miami, nos Estados Unidos
Moraes expediu a ordem judicial de apreensão dos passaportes a pedido da própria PF, pouco após Flávio ser derrotado por Lula no segundo turno das eleições para a Presidência da República, no último domingo. (Com Agência Brasil)


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