Curitiba - O senador paranaense Flávio Arns entregou ontem sua carta de desfiliação do PT ao presidente do diretório da legenda em Curitiba, André Franco de Oliveira Passos. Na carta, Arns destaca o episódio envolvendo o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e alega ainda que foi discriminado por membros do partido. Hoje, às 14 horas, o senador também vai comunicar sua desfiliação ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Paraná. Ele se filiou ao PT em 2001.
Os conflitos com membros da sigla se tornaram públicos em 2006, quando Arns, então candidato ao governo do Paraná, reclamou da falta de apoio da cúpula petista em torno da sua campanha. Sua desfiliação, contudo, ocorreu só agora, na esteira das denúncias contra Sarney.
Arns reprovou a participação determinante do seu partido no arquivamento das denúncias contra o peemedebista dentro do Conselho de Ética. Na carta, Arns afirma que a atitude foi uma ''violação aos princípios e diretrizes que sempre nortearam o ideal do Partido''. Em outro trecho, ele afirma que houve ''discriminação relativa à minha pessoa e ao meu mandato popular, manifestada por membros do Partido e até mesmo pelo Senhor Presidente da República''.
Com sua saída, a sua cadeira no Senado fica ameaçada. Desde 2007, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entende que o mandato pertence ao partido, e não ao político. Pela resolução do TSE que trata do tema, o partido não tem direito a recuperar o mandato quando a desfiliação for com ''justa causa''. Pela resolução, são consideradas ''justa causa'' a incorporação ou fusão do partido; a criação de novo partido; a mudança substancial ou o desvio reiterado do programa partidário; e a grave discriminação pessoal.

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