Flagrante foi armado por Michel Temer
Agência FolhaMichel Temer e Odílio Balbinotti, autor da denúncia: pedido de anulação da votação foi negadoO presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), armou o flagrante para identificar quem estava votando pelo deputado Valdomiro Meger (PFL-PR) na sessão de anteontem à noite. Ao receber a denúncia, por volta de 18h30, Temer determinou à assessoria da Mesa que monitorasse os postos de votação avulsa. O acompanhamento da votação foi feito pela TV Câmara, com três câmeras instaladas no plenário, e pelo sistema de votação eletrônica.
No final da noite, depois de assistir às imagens gravadas pela TV Câmara, Temer já sabia que o pianista era o deputado José Borba (PTB-PR). Ao constatar a fraude, o presidente convocou reunião da Mesa para ontem de manhã. Na reunião foi aprovado o pedido de cassação dos dois parlamentares por quebra do decoro. Abrimos o processo de cassação independentemente de sindicância, afirmou o presidente.
Depois da reunião, Temer assumiu a presidência da sessão, que havia começado às 10h, e fez questão de anunciar as providências. Ao receber a denúncia, determinei à Secretaria da Mesa e à TV Câmara o monitoramento das votações. Em três oportunidades o ilustre deputado José Borba votou pelo deputado Valdomiro Meger, disse Temer.
O deputado Milton Temer (PT-RJ) pediu a anulação das votações da reforma da Previdência de anteontem e também de votações da reforma administrativa vencidas pelo governo por apenas um voto. Essa prática pode ter se repetido naquelas votações, afirmou o petista. Temer negou o pedido argumentando que parte do pressuposto de que os deputados agem dentro da legalidade.
Nem sempre a Mesa toma decisões com rapidez em casos de denúncias contra deputados. No episódio envolvendo o deputado Sérgio Naya (sem partido-MG), Temer nem sequer estava no Brasil. O prédio construído pela Sersan, empresa de Naya, caiu na madrugada do domingo de Carnaval. No domingo seguinte foram divulgadas fitas nas quais Naya diz ter falsificado assinaturas, mas Temer só tomou providências dois dias depois, na terça-feira.
Temer afirmou que o mandato de Naya seria cassado num prazo de 15 a 20 dias. A declaração foi feita há 17 dias, e o processo ainda está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Processos de cassação do mandato de quatro deputados e um suplente estão esperando para serem votados no plenário há pelo menos cinco meses. A decisão de inclui-los na pauta é de Temer. (A.F.)





