Folha - Qual a sua avaliação da campanha eleitoral deste ano?
Requião - Foi uma campanha dura, mas extremamente gratificante. Tive a oportunidade de percorrer todo o Paraná, e recolher sugestões e informações que resultaram em meu programa de governo. Para mim, quando um político não se emociona mais com as dificuldades de seu povo, deve abandonar a política.
Folha - O que foi mais complicado, o primeiro ou o segundo turno? O senhor achava que seria tão acirrada assim a disputa?
Requião - No segundo turno tive o apoio de políticos sérios e éticos numa grande frente do bem. Isso nos deu um grande reforço na campanha. Com a ajuda de companheiros como o Padre Roque Zimmermann (candidato derrotado do PT), Rubens Bueno (candidato derrotado do PPS), Pastor Oliveira (deputado federal pelo PL) e políticos de vários partidos, ficou mais fácil chegar à reta final.
Folha - O senhor se arrepende de alguma decisão ou estratégia durante a campanha deste ano?
Requião - Não, não me arrependo. Fiz uma campanha baseada em propostas. Afinal, os paranaenses esperam de seu governador soluções para seus problemas e não as baixarias das quais fui vítima.
Folha - O que o senhor faria de diferente para conquistar mais votos?
Requião - Acredito que fiz o que deveria fazer e foi bem feito, por isso vou ganhar as eleições.
Folha - Na sua avaliação, o que é que o eleitor paranaense está esperando nesta eleição?
Requião - O eleitor espera um governante sério, com experiência, que apresente propostas claras sobre emprego, segurança, educação e saúde. Quer ética e transparência na política. E terá exatamente isso em meu governo.
Folha - Se no dia 27 não der para ganhar a eleição, que rumo o senhor vai tomar?
Requião - Nunca me passou pela cabeça essa idéia.
Folha - Se o senhor se eleger, começa a trabalhar na transição já?
Requião - Espero que seja um trabalho tranquilo. Vou pedir uma audiência com o governador e imediatamente iniciar um diagnóstico da realidade econômica do Paraná. A partir disso, quero solicitar aos deputados mudanças no Orçamento do Estado (de 2003), para que possa aplicar os recursos naquelas prioridades que o povo elegeu.
Folha - Como foi a condução do processo eleitoral pela Justiça Eleitoral? No que o senhor acha que falhou?
Requião - Os problemas da Justiça Eleitoral são de ordem estrutural, como a urna eletrônica, que é um programa passível de fraude. Essas sugestões, já fiz ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas preferiram ouvir alguns técnicos.
Folha - O que foi mais complicado, fazer campanha contra Jaime Lerner (PFL) em 1998, ou contra Alvaro Dias (PDT) neste ano?
Requião - Foram campanhas diferentes, em momentos diferentes da história do Paraná. Com Jaime Lerner mostrei que o Paraná estava sendo dilapidado por uma postura irresponsável de apoio às multinacionais e à corrupção. Já o Alvaro Dias assumiu uma postura de oposição ao governo do Estado, e a diferença ocorreu na qualidade das propostas apresentadas.

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