Fitas não atingem FHC, afirma Hauly
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Patrícia Zanin e Luciana Pombo 
O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), 1º vice-líder do governo na Câmara, disse ontem que é comum os ministros usarem o nome de FHC. Qualquer ministro usa o nome do presidente para o bem, afirmou. Para Hauly, a divulgação das fitas gravadas envolvendo FHC na privatização da Telebrás não atingem a figura do presidente. Ele não foi afetado em nada, garantiu. Os outros elementos dos diálogos estão fora do governo, disse o deputado, referindo-se ao ex-presidente do BNDES, André Lara Resende e ao ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Hauly, que até duas semanas era líder do governo na Câmara, descartou qualquer investigação sobre o caso. É um assunto que havia sido superado pelo Congresso e pela imprensa e agora volta à tona. Mas investigar o que se a privatização resultou em ágio de 60% sobre o preço básico?, disse.
Já para o deputado federal padre Roque (PT), a divulgação de fitas com a notícia de tentativa de favorecimento de empresas no leilão da Telebrás, em julho de 98, por parte de FHC, mostra que o governo está chegando ao fundo do lodaçal. Embora os governistas queiram abafar, não se admite que atitudes dessas sejam escanteadas, varridas para debaixo do tapete. É uma reação inaceitável.
Arquivo FolhaMau cheiroPadre Roque: O governo está chegando ao fundo do lodaçalPara ele, os líderes do governo teriam de obedecer aos interesses da Nação e não do presidente. Estou pasmo, perplexo e frustrado porque nada se pode fazer, admitiu. Padre Roque reconheceu a força do rolo compressor governista. Disse que a esperança da oposição está no esclarecimento do caso via Ministério Público. Vamos tentar mobilizar também motivar a opinião pública para extrapolar o Congresso. E que a imprensa seja o olho da Nação porque, senão, o governo vai cegar todo mundo.
Deputados estaduais consultados pela Folha afirmaram que foram pegos de surpresa com a divulgação, anteontem, do grampo. O líder do PDT na Assembléia Legislativa, Edgar Bueno, adotou o estilo brizolista e afirmou que, com a confirmação das notícias, por meio de gravações telefônicas, toda a sustentação do governo federal desmoronou. Foi uma grande decepção para todos nós e não nos resta outra alternativa senão pedir a renúncia do presidente.
De acordo com Bueno, esta não foi a primeira vez que o governo federal tentou beneficiar um grupo econômico ou político. Temos visto as notícias de favorecimento de bancos por parte do Banco Central, o que nos faz crer que esta é uma prática comum da atual administração.
O líder do PMDB em exercício, Ademir Bier, disse que lamenta a tentativa de manipulação do leilão da Telebrás por parte do governo. Isso coloca em descrédito todo o processo de privatização do País. Pedimos investigações detalhadas sobre o fato, disse.
Qualquer denúncia tem de ser apurada e se for comprovada irregularidade, o responsável deve ser punido, afirmou o deputado Augustinho Zucchi, que está trocando o PPB pelo PSDB. Já o presidente da AL, Aníbal Khury (PFL), lamentou: Eu não gosto que ouçam telefonemas, já fui vítima de um grampo e tenho motivos para desaprová-lo.


