O deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), 1º vice-líder do governo na Câmara, disse ontem que é comum os ministros usarem o nome de FHC. ‘‘Qualquer ministro usa o nome do presidente para o bem’’, afirmou. Para Hauly, a divulgação das fitas gravadas envolvendo FHC na privatização da Telebrás ‘‘não atingem a figura do presidente’’. ‘‘Ele não foi afetado em nada’’, garantiu. ‘‘Os outros elementos dos diálogos estão fora do governo’’, disse o deputado, referindo-se ao ex-presidente do BNDES, André Lara Resende e ao ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Hauly, que até duas semanas era líder do governo na Câmara, descartou qualquer investigação sobre o caso. ‘‘É um assunto que havia sido superado pelo Congresso e pela imprensa e agora volta à tona. Mas investigar o que se a privatização resultou em ágio de 60% sobre o preço básico?’’, disse.
Já para o deputado federal padre Roque (PT), a divulgação de fitas com a notícia de tentativa de favorecimento de empresas no leilão da Telebrás, em julho de 98, por parte de FHC, mostra que o governo ‘‘está chegando ao fundo do lodaçal’’. ‘‘Embora os governistas queiram abafar, não se admite que atitudes dessas sejam escanteadas, varridas para debaixo do tapete. É uma reação inaceitável’’.
Arquivo FolhaMau cheiroPadre Roque: ‘‘O governo está chegando ao fundo do lodaçal’’Para ele, os líderes do governo teriam de obedecer aos interesses da Nação e não do presidente. ‘‘Estou pasmo, perplexo e frustrado porque nada se pode fazer’’, admitiu. Padre Roque reconheceu a força do rolo compressor governista. Disse que a esperança da oposição está no esclarecimento do caso via Ministério Público. ‘‘Vamos tentar mobilizar também motivar a opinião pública para extrapolar o Congresso. E que a imprensa seja o olho da Nação porque, senão, o governo vai cegar todo mundo’’.
Deputados estaduais consultados pela Folha afirmaram que foram pegos de surpresa com a divulgação, anteontem, do grampo. O líder do PDT na Assembléia Legislativa, Edgar Bueno, adotou o estilo brizolista e afirmou que, com a confirmação das notícias, por meio de gravações telefônicas, toda a sustentação do governo federal desmoronou. ‘‘Foi uma grande decepção para todos nós e não nos resta outra alternativa senão pedir a renúncia do presidente’’.
De acordo com Bueno, esta não foi a primeira vez que o governo federal tentou beneficiar um grupo econômico ou político. ‘‘Temos visto as notícias de favorecimento de bancos por parte do Banco Central, o que nos faz crer que esta é uma prática comum da atual administração’’.
O líder do PMDB em exercício, Ademir Bier, disse que lamenta a tentativa de manipulação do leilão da Telebrás por parte do governo. ‘‘Isso coloca em descrédito todo o processo de privatização do País. Pedimos investigações detalhadas sobre o fato’’, disse.
‘‘Qualquer denúncia tem de ser apurada e se for comprovada irregularidade, o responsável deve ser punido’’, afirmou o deputado Augustinho Zucchi, que está trocando o PPB pelo PSDB. Já o presidente da AL, Aníbal Khury (PFL), lamentou: ‘‘Eu não gosto que ouçam telefonemas, já fui vítima de um grampo e tenho motivos para desaprová-lo’’.

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