Fitas levantam novas suspeitas contra desembargador de RR
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quinta-feira, 01 de abril de 1999
Agência Estado 
Uma fita divulgada na campanha eleitoral pela senadora Marluce Pinto, que disputava na época o governo de Roraima pelo PMDB, indica que o desembargador Robério Nunes dos Anjos foi o responsável pela escolha de Luiz Fernando Miglioni para ocupar a presidência da Companhia de Desenvolvimento de Roraima (Codesaima). A nomeação de Miglioni, segundo a gravação, teria sido feita para evitar a apuração de irregularidades na empresa, denunciadas durante a campanha.
O desembargador Robério é um dos personagens de uma outra gravação. Segundo essa última fita, o desembargador estaria agindo para favorecer o governador Neudo Campos (PPB) e asessorando-o informalmente. A gravação foi enviada ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) para ser incluída na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário.
Há seis meses, um processo administrativo foi aberto na Codesaima para apurar denúncias de irregularidades na estatal. Na época, a empresa era dirigida por Vilson Mulinari, cunhado de Neudo Campos, e tinha na diretoria Luiz Carlos Florenciano, casado com uma irmã de Suely Campos, esposa de Neudo, e José Hamilton dos Santos, esposo da secretária de Educação do Estado, Antônia Vieira.
Segundo as denúncias levadas ao Ministério Público, os antigos diretores usavam testas-de-ferro para emissão de notas frias: a empresa compraria mercadorias de pequenos produtores e ficaria com a diferença.
Quando o escândalo estourou durante o processo eleitoral, Neudo Campos afastou a diretoria e nomeou Migliolin. Sua indicação foi feita pelo desembargador, segundo fita gravada com telefonema de Robério com a então chefe do Gabinete Civil, Cilene Lago Salomão.


