Um suposta fita na qual deputados recém-filiados ao PMDB falam de vantagens econômicas para entrar no partido gerou tensão na cúpula peemedebista desde o final da tarde de anteontem. Ontem, a preocupação chegou ao Palácio do Planalto. A fita foi divulgada pelo PFL.
Entre os gravados estaria o deputado federal José Lourenço (PMDB-BA). Ele era do PFL e se filiou ao PMDB durante uma cerimônia pública em 17 de dezembro passado, em Salvador, na presença de vários dirigentes da cúpula peemedebista. Estavam presentes à cerimônia o presidente nacional do PMDB e candidato do partido ao comando do Senado, Jader Barbalho (PA), e o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), entre outros políticos.
Dirigente do PMDB, Geddel foi o responsável pela negociação que trouxe para o partido quatro deputados federais naquela oportunidade. Além de José Lourenço, filiaram-se os deputados Leur Lomanto, Jonival Lucas Júnior e Roland Lavigne.
Na semana passada, o grupo do presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), perdeu mais um deputado federal: Benito Gama, que também migrou para o PMDB. A sangria nos quadros carlistas é uma estratégia de Geddel para enfraquecer ACM na Bahia.
Ontem, Geddel repetiu gesto de ACM – que no início da semana exibiu fita de vídeo contra ele – e convidou os jornalistas para assistir ao vídeo ‘‘ACM: um caso de polícia’’. Produzida pela Organização Não-Governamental Movimento pela Ética na Política, a fita chegou ao gabinete do peemedebista na véspera e reúne uma série de denúncias e insinuações contra ACM, de enriquecimento ilícito utilizando os cargos por que passou na administração pública até assassinato.
Segundo o próprio Geddel, o vídeo é anônimo – apesar de ter uma capa com a identificação da ONG. ‘‘Mas, como baiano que sou, posso dizer que as denúncias apresentadas têm amparo na larga opinião pública na Bahia’’, afirmou.
Lourenço disse ontem que recebeu um telefonema de um repórter da revista ‘‘Veja’’. Na ligação, teria sido informado pelo jornalista de que ele, Lourenço, tinha sido gravado e que, numa fita em poder da revista, diria que ‘‘Geddel não pagava o que foi acertado’’.
O ‘‘acertado’’ seria, supostamente, algum valor que o deputado receberia por ter saído do PFL e ingressado no PMDB. Lourenço nega que esse tipo de negociação tenha ocorrido.
Segundo o deputado Lourenço, ele também apareceria na gravação xingando de ‘‘ladrão’’ o deputado Geddel e o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que também pertence à cúpula do PMDB. Lourenço nega o xingamento.
As gravações conteriam ligações telefônicas, de acordo com Lourenço. Ele supõe que sejam montagens. Além de uma voz que seria sua, apareceria também nas conversas o ex-deputado Jonival Lucas (pai do deputado Jonival Lucas Júnior, outro ex-pefelista recém-filiado ao PMDB).
Uma outra voz apareceria em conversa com o Jonival pai. Seria um de seus filhos – não o que é deputado federal. A reportagem falou com o ex-deputado Jonival. Ele negou qualquer conversa nesses termos. ‘‘Isso é criação de um homem doente, que é o Antonio Carlos’’, disse.

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