RIO - O delegado aposentado da Polícia Federal, Paulo Lacerda, que auxilia nas investigações, envia hoje à CPI dos Títulos a fita cassete na qual os banqueiros Fábio Nahoum e Ronaldo Ganon, donos do banco Vetor, admitem que o esquema de emissão de títulos nasceu dentro do Vetor. ‘‘Esta fita é importante, pois nela ficou claro que eles (Nahoum e Ganon) não foram 100% verdadeiros nas afirmações à CPI’’, disse Lacerda.
A fita contém a primeira entrevista dos dois banqueiros, concedida ao jornal ‘‘O Estado de S. Paulo’’ em 22 de novembro do ano passado, 12 dias antes da instalação da CPI. Ela prova que o esquema de títulos lastreados em precatórios começou a ser montado entre 1992 e 1993. Na CPI os donos do Vetor disseram ter começado a fazer isso em 95. O banco procurou governadores e prefeitos que nem sequer conheciam o dispositivo constitucional permitindo a emissão dos papéis.
Uma dúvida, segundo Paulo Lacerda, em relação ao uso da fita pela CPI, é que talvez ela não possa servir como prova judicial. ‘‘O Supremo Tribunal Federal criou uma jurisprudência segundo a qual gravações só podem ser aceitas como prova quando contam com a concordância das duas partes envolvidas’’, explicou o delegado. No início da fita, entretanto, o banqueiro Fábio Nahoum se apresenta e explica que a gravação é referente a uma entrevista ‘‘dada ao jornalista Francisco Otavio do jornal ‘‘O Estado de S. Paulo’’, identificando o uso da fita.

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