Fita foi uma das primeiras provas do MP
Fita foi uma das primeiras provas do MP
Arquivo FolhaKohatsu e Maggi: os primeiros investigadosA exibição de uma fita pelo prefeito Antonio Belinati para demonstrar tentativa de extorsão não é o primeiro caso que aconteceu no escândalo AMA-Comurb. Em maio de 99, o funcionário da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Délcio Garcia Martins, autorizou a divulgação de uma fita contendo conversas com ex-diretores do órgão, Mauro Maggi e Nelson Kohatsu. Trechos das conversas sugerem falsificações de planilhas e adulteração de valores de notas fiscais referentes ao pagamento de serviços de roçagem e capina. A fita detonou o escândalo AMA-Comurb, que hoje é alimentado por outras revelações, que aumentam o mar de lama em Londrina.
Martins foi um dos denunciantes do esquema de superfaturamento nos serviços da AMA e a fita (resultando de grampos no telefone dele) foi uma das primeiras provas que o Ministério Público (MP) obteve para investigar o caso. Resolvi grampear meu telefone por precaução, sabendo que isso poderia dar problema um dia, alegou o funcionário, na época.
A divulgação da fita de Martins teve um grande impacto e serviu para mostrar como as irregularidades aconteciam na autarquia. Mais tarde, Maggi e Kohatsu pediram demissão do cargo e confirmaram as irregularidades.
O trabalho do MP começou em fevereiro do ano passado com uma simples denúncia de superfaturamento. Com o decorrer das investigações, a promotoria foi descobrindo novos irregularidades e logo chegaram na Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). Na companhia, o MP apurou a realização de diversas licitações fraudulentas. A promotoria apurou que até agora foram desviados R$ 16 milhões, sendo que uma boa parte foi usada para pagar gastos de campanha eleitoral de 98.
Na semana passada, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Sindicato dos Jornalistas divulgaram a degravação de uma conversa mantida entre o ex-diretor-administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, e o assessor de imprensa da Sercomtel, Carlos Arruda. Na conversa discute-se o pagamento de despesas junto a veículos de comunicação. A fita, entregue ao MP em fevereiro, passou por perícia no Instituto de Criminalística, que concluiu tratar-se de uma gravação autêntica.





