Fita citando diabo gera ataques entre PMDB e PDT
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terça-feira, 24 de setembro de 2002
Rodrigo Sais<BR>Equipe da Folha 
Curitiba A exibição de uma fita contendo uma gravação com o senador Roberto Requião (PMDB) afirmando que faria uma aliança com o diabo, veiculada no programa eleitoral da coligação encabeçada por Alvaro Dias (PDT), baixou ainda mais o nível de debate da campanha eleitoral no Paraná. A menos de duas semanas da eleição, os dois principais candidatos ao governo passaram o dia ontem trocando ataques e acusações através de entrevistas coletivas concedidas por representantes de suas siglas.
O presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene (PPB), da coligação de Alvaro, apresentou um laudo elaborado pelo ex-perito da Unicamp Ricardo Molina de Figueiredo que confirma a veracidade da fita em que Requião afirma que subiria no palanque com o diabo. Simultaneamente, o PMDB distribuía um laudo do perito paranaense aposentado Ari Fontana garantindo que a imagem e a voz de Requião foram adulteradas para conter os trechos polêmicos que foram ao ar pela primeira vez há uma semana.
As primeiras farpas, envolvendo tema tão apelativo, foram lançadas contra os peritos contratados pelos dois grupos. ''Como confiar em um laudo de um perito aposentado, sendo que o nosso laudo foi elaborado por uma das maiores autoridades no assunto?'', questionou Janene. O secretário-geral do PMDB, Luiz Carlos Delazari, retrucou atacando o perito contratado por Janene. ''Molina foi expulso da Unicamp por não ser idôneo'', acusou.
Os ataques entre os candidatos não tardaram a surgir. ''Ninguém confia em uma denúncia do Janene, que assaltou a Prefeitura de Londrina e roubou R$ 5 milhões. Ele já tem os bens bloqueados e seu sigilo bancário quebrado por uma ação civil pública'', acusa Delazari.
Janene, por sua vez, preferiu atacar Requião. ''Não tenho nenhuma ação civil pública contra mim. O Requião, que é mentiroso e inescrupuloso, comprovadamente enviou dólares ao exterior através de sua mulher (Maristela Requião)'', rebateu. Segundo a Folha apurou, Janene é réu em uma ação civil pública, mas conseguiu reverter a liminar que determinava a quebra de seu sigilo bancário. O episódio envolvendo Maristela Requião foi explorado pela revista Veja em 2000, sugeriu que ela teria enviado dólares irregularmente para fora do País.
O deputado pepebista afirmou ainda ter uma fita em que Requião o ameaça de morte. ''Ele comenta algo como: 'esse Janene, só matando'. Mas prefiro não levar essa fita a público'', disse. Já Requião entrou com uma representação contra Janene por uma suposta ameaça de morte. ''Temos testemunhas que comprovam que Janene ameaçou dar um tiro na cara de Requião se ele aparecesse em sua região'', disse Delazari.


