Fiscalização é comandada por fraudadores
Brasília - Neste ano de eleições municipais são cada vez mais visíveis os ataques ao fundo, criado para melhorar as condições precárias do ensino fundamental no País. O Ministério Público, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) levantaram indícios de que a sangria é generalizada e os mecanismos de fiscalização são deficientes ou estão instrumentalizados pelos fraudadores. ''Entre os ralos do dinheiro público, os que mais preocupam o governo são o Fundef e o Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura do Transporte)'', afirma o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.
De 1999 até agora, o Ministério da Educação (MEC) recebeu mais de 2 mil denúncias de irregularidades no Fundef. Como não tem fiscalização própria, o MEC encaminha as denúncias ao Ministério Público, à CGU e aos tribunais de contas dos Estados. De acordo com o MP, parte da pilhagem é destinada ao caixa dois de campanhas eleitorais e outra vai para o patrimônio pessoal dos fraudadores. Até agora, apenas 34 prefeitos foram presos, cassados, ou respondem a processo de cassação por conta dos desvios.
''São quadrilhas com o mesmo perfil e modus operandi das que assaltavam os cofres da Sudene e da Sudam. Uma das mais vorazes é essa que atua no Fundef'', diz o procurador da República Mário Lúcio de Avelar. (V.M. e D.W.)





