Curitiba - Dois fiscais do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome chegaram na noite de ontem a Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), para apurar denúncias de irregularidades na distribuição dos benefícios do programa Bolsa-Família do governo federal. As denúncias foram feitas em uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo e dão conta que pessoas que têm renda superior à permitida para participar do programa estão recebendo o benefício.
Os fiscais devem ficar quatro dias em Piraquara e vão procurar a prefeitura, a agência da Caixa Econômica Federal responsável pela distribuição do dinheiro e verificar os cadastros dos participantes do programa.
Segundo a assessoria do ministério, essa é a única denúncia feita sobre irregularidades no recebimento do benefício em municípios paranaenses. A Caixa Econômica informou que no Paraná, até setembro, o Bolsa-Família beneficiava 203,4 mil famílias em um valor total de R$ 12,6 milhões. Já em Piraquara, 1.736 famílias recebiam o benefício até setembro, num total de R$ 110 mil.
A denúncia mostrou que duas servidoras municipais (uma delas mulher de um candidato a vereador derrotado) recebem o benefício, porém têm renda superior a R$ 50 per capita, como limita o programa. A secretária executiva do ministério, Ana Fonseca, informou que, caso comprovada a denúncia, as pessoas que estavam em situação irregular vão ter que devolver todo o dinheiro. E se ficar provado que o prefeito sabia do fato, pode ser processado por improbidade administrativa.
A secretária municipal de Ação Social de Piraquara, Adriana Pereira Martins, alegou que o município apenas faz a ponte entre a população e o governo, cadastrando as famílias. ''Apenas repassamos as fichas para o governo federal. O dinheiro nem sequer passa pela prefeitura'', afirmou. Adriana disse não ser de responsabilidade da prefeitura a fiscalização da veracidade das informações contidas nas fichas porque o governo federal não dá estrutura para isso. Quanto à denúncia das duas mulheres, a secretária informou que a servente se enquadra no programa e que a mulher do vereador derrotado se enquandrava na época do cadastramento, em 2001. ''Ela ia ser retirada no recadastramento que será feito pelo ministério em novembro. Mas a servente ainda se enquadra.''

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