Fiscais do contrato entre a CMTU e a Cooprelon elaboraram, em dezembro do ano passado, um relatório apontando irregularidades e recomendando a rescisão, segundo afirmou a agente ao MP. Nadai confirmou o teor do parecer e ter recebido o documento, mas refutou argumentação dos fiscais.
Os agentes teriam apontado irregularidades na composição da cooperativa, já que dois dirigentes não eram catadores de baixa renda, e na participação ostensiva da Supra na Cooprelon. No alvará da cooperativa, expedido pelo município, constavam como telefone e endereço eletrônico os mesmos da Supra. Além disso, após o contrato, a Supra passaria a alugar caminhões para a Cooprelon ao custo de R$ 63 mil mensais. No contrato está previsto que a cooperativa deve ter ''veículos próprios''.
A Supra também alugaria, em seu nome, um barracão de triagem para a cooperativa, conforme admitiu o dono da Supra, Marcos Puertas, em entrevista concedida à FOLHA em dezembro. A empresa fabrica objetos para limpeza, como rodos e vassouras, a partir de material reciclável. Antes da fundação da Cooprelon, a Supra comprava todo o material fora da cidade.
Nadai disse ter se reunido com os fiscais e ''explicou que tudo estava sendo feito de acordo com a lei''. Assim, o parecer pela rescisão foi ignorado. (L.C.)

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